Título: Taxa de desemprego tem queda e rendimento médio aumenta
Autor:
Fonte: Valor Econômico, 22/12/2006, Brasil, p. A3

A taxa de desemprego no Brasil caiu ligeiramente no mês passado, para 9,5%, na comparação com o resultado de outubro (9,8%). Em novembro de 2005, o desemprego estava em 9,6%. A taxa média de desemprego dos 11 primeiros meses do ano manteve-se estável em torno de 10%, em comparação com 2005. Os números foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O rendimento médio real do trabalhador em novembro aumentou 0,6% em relação ao mês anterior, para R$ 1.056,60. Em um ano, segundo o IBGE, a renda média do trabalhador acumula alta de 5,7%. O emprego com carteira de trabalho assinada permaneceu estável na comparação mensal, mas em relação a novembro de 2005, foi registrado aumento de 6,0%, o que equivale a mais 487 mil postos de trabalho.

O contingente de desocupados (2,2 milhões) registrou estabilidade nas comparações mensal e anual, no total das seis regiões metropolitanas pesquisadas. Não foi verificada alteração no contingente de ocupados em relação a outubro, mas na comparação anual houve crescimento de 3%, representando a entrada de aproximadamente 600 mil pessoas no mercado de trabalho, no conjunto das regiões pesquisadas.

Na avaliação do gerente da Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE, Cimar Azeredo, o desempenho do mercado de trabalho em 2006 ficou abaixo das expectativas. "O mercado de trabalho vem se recuperando de um processo que começou com a recessão de 2003. Em 2006, a expectativa era de um ano de maior dinamismo na economia, que se refletiria no mercado de trabalho, o que não ocorreu."

Apesar disso, Azeredo diz que houve uma melhoria qualitativa no mercado, o que se traduz, por exemplo, na taxa de empregos com carteira de trabalho assinada, que aumentou 6% em um ano. De acordo com o pesquisador, o resultado deve-se principalmente ao aumento da fiscalização governamental sobre as empresas e a políticas de estímulo à formalização do emprego.

Sobre o aumento da renda do trabalhador, Azeredo disse que, apesar de o crescimento acumulado nos 11 meses ter sido maior do que o dos três anos anteriores, ainda não chega aos valores de 2002.

"A economia não cresceu a ponto de ter uma recuperação de rendimento comparando com o ano de 2002", diz Azeredo. Ele explica que a recuperação deve-se a um mínimo maior, inflação sob controle e maior absorção no mercado de pessoas com carteira assinada.