Título: Desembolso do BNDES para energia em 2006 é o mais baixo do governo Lula
Autor: Grabois, Ana Paula
Fonte: Valor Econômico, 19/12/2006, Brasil, p. A2

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai fechar o ano com o menor volume de recursos liberados ao setor de energia elétrica desde o início do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O chefe do departamento de energia do banco de fomento, Nélson Siffert, prevê R$ 3 bilhões em desembolsos ao setor em 2006, embora o banco tenha reservado R$ 10 bilhões de seu orçamento para a área.

No ano passado, foram desembolsados R$ 4,6 bilhões, enquanto que em 2004, o volume de liberações totalizou R$ 6,5 bilhões. No primeiro ano do governo Lula, os desembolsos destinados a projetos de energia alcançaram R$ 5 bilhões.

Para 2007, o banco prevê uma alta nos desembolsos devido a projetos hidrelétricos em análise. "A perspectiva é que os desembolsos voltem ao patamar anterior, em torno de R$ 4 bilhões", disse Siffert. Para 2008, ele estima que as liberações de crédito cheguem a R$ 10 bilhões. Parte do pior desempenho em 2006 é atribuída às aprovações de diversos projetos de pequenas centrais hidrelétricas, que demandam investimentos menores.

Entre 2003 e 2006, o BNDES aprovou R$ 16,5 bilhões para o todo o setor de energia. Deste total, R$ 5,5 bilhões corresponderam a hidrelétricas, R$ 1,3 bilhão a termelétricas, R$ 1,8 bilhão a pequenas centrais hidrelétricas, R$ 3,9 bilhões ao segmento de transmissão e R$ 2,6 bilhões a projetos de distribuição.

O banco fechou 2006 com R$ 7,7 bilhões de projetos em análise ao setor, cujas aprovações devem sair no ano que vem. Entre os principais empreendimentos estão os das hidrelétricas de Foz do Chapecó, Estreito, Monjolinho, Serra do Facão e Salto Pilão, com capacidade de geração de 2.655 MW.

Ontem, o BNDES anunciou o financiamento de R$ 875 milhões a três linhas de transmissão. Os empreendimentos, entretanto, já foram construídos. Os recursos, desembolsados à Plana Transmissoras - formada pelas espanholas Isolux, Cobra e Elecnor - serão utilizados para refinanciar o investimento, de R$ 1,43 bilhão.

Um dos motivos para a demora na liberação do crédito é o processo de licenciamento ambiental, segundo o presidente do BNDES, Demian Fiocca. As três linhas - Itumbiara, Vila do Conde e Porto Primavera - foram arrematadas em 2004, no primeiro leilão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e têm 1,6 mil quilômetros de extensão.

"O empréstimo do BNDES confere viabilidade financeira às empresas", disse Fiocca, acrescentado que as propostas dos investidores no leilão já contabilizam os futuros recursos do banco. "O financiamento é fundamental para eles investirem em novos empreendimentos", acrescentou Siffert, apesar de admitir que a liberação após a construção de um projeto não é praxe. "Houve uma maior complexidade, porque o financiamento envolveu garantias no exterior."

O BNDES também aprovou ontem R$ 570 milhões para a construção, pelo grupo Suez-Tractebel, da hidrelétrica de São Salvador, no Rio Tocantins.