Título: Financiamento público é rejeitado por 77%
Autor: Lyra, Paulo de Tarso
Fonte: Valor Econômico, 19/12/2006, Política, p. A10

Considerado um dos principais pontos da reforma política e defendido por parlamentares e governantes como ideal para coibir o caixa 2 eleitoral, o financiamento público foi amplamente rechaçado por 77% dos entrevistados ouvidos pela pesquisa CNI/Ibope divulgada ontem. Apenas 16% das 2.002 pessoas ouvidas mostraram-se favoráveis à medida.

Não é só em relação ao financiamento de campanha que há falta de sintonia entre o que pensa a população e apregoam os políticos: a reeleição foi apoiada por 58% dos entrevistados, contra apenas 38% que declararam ser contrários a ela. Para mais da metade dos entrevistados - 52% - é fundamental a implantação de uma mentalidade de fidelidade partidária no país, contra 37% que consideram essa uma questão sem importância. Outros 54% defendem o fim da obrigatoriedade do voto, enquanto 45% dos entrevistados aceitam a manutenção das regras atuais.

Dos entrevistados, 56% admitiram que teriam votado nas eleições de outubro, mesmo se a obrigatoriedade não mais existisse. Já 43% confessaram que, se liberados por lei, não se dariam ao trabalho de dirigir-se à uma seção eleitoral para votar.

As opiniões se dividem quase meio a meio quanto ao poder do voto como instrumento de mudança da sociedade. Para 51% dos entrevistados, o voto é capaz de melhorar a vida das pessoas. Outras 47% acreditam que ele não altera a vida ou que eventuais mudanças são decorrentes de outros fatores alheios à eleição.

A pesquisa CNI/Ibope apontou que a população brasileira acompanha e discute política, mas pouco faz de efetivo em termos de militância. Os números divulgados ontem mostram que 48% dos entrevistados conversam sobre política com os amigos, mas que 83% nunca trabalharam para partidos políticos ou candidatos, ainda que de maneira voluntária. Mais: 71% dos pesquisados jamais trabalharam pela defesa de propostas ou idéias que afetam a sua vida ou de sua comunidade.

A Igreja ainda aparece como o principal reduto de atividade, englobando 72% dos entrevistados. Seguem-se, pela ordem, reuniões nas escolas dos filhos (37%), atividades de voluntariado (18%), grupos ligados a atividades culturais, artísticas ou esportivas (15%), associações profissionais ou sindicatos (14%), associações de moradores (12%) e partidos e reuniões políticas (10%).

A pesquisa CNI/Ibope mostrou que, analisando-se a situação pessoal, 62% dos entrevistados sonham em abrir a própria empresa ou ser autônomos; outros 24% pretendem prestar concurso público e apenas 11% gostariam de ser empregados de empresa privada. Deixando-se de lado os projetos pessoais e levando-se em conta a realidade do país, a ordem das escolhas permanece, mas os percentuais se alteram: 59% querem ser donos do próprio negócio, 25% querem ser funcionários públicos e 13% aceitam ingressar na iniciativa privada. (PTL)