Título: Congresso cria comissões para fiscalizar setor
Autor: Romero, Cristiano e Lyra, Paulo de Tarso
Fonte: Valor Econômico, 07/12/2006, Brasil, p. A4

O Congresso Nacional reagiu ontem ao colapso do setor aéreo brasileiro. Aeroportos lotados, vôos atrasados e passageiros horas nas filas - muitos deles parlamentares que não conseguiram chegar a Brasília para votar - levaram os deputados e senadores a pedir medidas drásticas para resolver a crise. A Câmara criou uma comissão externa para acompanhar o problema de perto. Farão parte do grupo os integrantes da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional. O senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) propôs e o Senado fez a mesma coisa. A oposição e até integrantes da base aliada pedem a saída do ministro da Defesa, Waldir Pires (PT).

"O governo deve tomar medidas drásticas para resolver essa crise porque o país não pode sustentar mais a situação. Essa paralisação afeta a vida dos passageiros, da economia nacional e das instituições", disse ontem o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), logo depois de o plenário aprovar o requerimento dos deputados Miro Teixeira (PDT-RJ) e Celso Russomano (PP-SP) para a criação da comissão externa.

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), também pretende tomar providências. "É preciso que nós façamos alguma coisa. Estamos conversando com os senadores para ver como o Senado colabora com uma solução para essa crise. Ela parece que passou de todos os limites", disse.

Na Câmara, o líder do PFL, Rodrigo Maia (RJ), pediu a demissão de Waldir Pires. Para ele, a crise demonstra a falta de condições do ministro de ocupar a pasta. "Com todo respeito que tenho à história do ministro, infelizmente, ele não conseguiu comandar o processo na hora necessária", disse Maia. Sobre o pedido do pefelista, o líder do governo Romero Jucá (PMDB-RR) foi econômico nas palavras. "O presidente está adotando as medidas necessárias. Se precisar mudar ele vai mudar." Aldo Rebelo saiu em defesa de Pires. "O ministro é capaz e tem experiência suficiente para lidar com a situação."

O senador Delcídio Amaral (PT-MS), relator do projeto que criou a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), demonstrou insatisfação com Pires. "Quem trata de ministros é o presidente, mas há uma descoordenação muito grande nessa questão das aéreas." Para ele, o presidente Lula "precisa assumir a frente das ações, senão poderá haver quebra-quebra nos aeroportos." (Colaborou Raquel Ulhôa)