Título: Bolsa européia quer atrair interesse de companhia brasileira
Autor: Mandl, Carolina e Moreira, Talita
Fonte: Valor Econômico, 01/12/2006, Empresas, p. B2

A Euronext, maior bolsa do mercado europeu, quer se tornar uma alternativa para captação de recursos de empresas brasileiras.

Ontem, Miguel Athayde Marques, presidente do conselho de administração da Euronext, esteve na Bovespa para fazer uma apresentação a um seleto grupo de empresários e banqueiros do país.

Na recente onda de ofertas iniciais de ações do Brasil, diversas subsidiárias de empresas européias utilizaram a bolsa brasileira para captar recursos e expandir seus negócios. Entre elas, estão a Energias do Brasil e a holding espanhola de concessões rodoviárias OHL.

Agora, a Euronext quer convencer as companhias brasileiras a fazer o caminho inverso, aproveitando o momento de internacionalização pelo qual passam muitas delas. Não por acaso, Marques deu uma palestra intitulada "Liberte o potencial da sua subsidiária européia."

"A listagem dá mais visibilidade à empresa e melhora as relações comerciais. Além disso, a companhia em seu país de origem se beneficia porque o mercado passa a dar valor à subsidiária em si", afirmou o presidente do conselho de administração da Euronext.

A aproximação com as companhias brasileiras está sendo feita por meio da Euronext Lisboa, braço português da bolsa européia, que surgiu em 2000 da fusão dos mercados acionários de Amsterdã, Bruxelas, Paris e Lisboa.

Nos últimos anos as empresas do Brasil buscaram captar recursos em Nova York, onde estão listadas 33 companhias do país. Isso tem sido feito por meio de American Depositary Receipts (ADRs), que são papéis lastreados nas ações negociadas na bolsa brasileira.

Porém, o incremento das regras de governança corporativa nos Estados Unidos tem encarecido esse processo. Segundo Marques, a Euronext quer se firmar como uma alternativa ao mercado americano. É crescente o número de companhias que vem preferindo captar recursos na Europa por esse motivo.

O presidente da Braskem , José Carlos Grubisich, ressaltou as dificuldades e as despesas elevadas inerentes aos processos de certificação dos balanços e dos controles internos exigidos pela lei americana Sarbanes-Oxley. "Para quem já passou por tudo isso, como nós, vale a pena permanecer no mercado americano. Mas há uma série de novas empresas que poderão optar pelo europeu", afirmou o executivo da petroquímica brasileira.

Mas o executivo vê outro atrativo no mercado europeu, onde há dois meses a Braskem abriu sua primeira filial. "Ganha-se visibilidade ao se estar listado próximo a um mercado consumidor importante", disse. A companhia já está cotada na Latibex, na Espanha. No entanto, o executivo afirmou estar observando a expansão da Euronext e da bolsa de Londres. "A Latibex foi um passo importante, mas não está conseguindo ter o crescimento que imaginávamos."

Para Pedro Coelho, administrador do banco Banif, as empresas brasileiras podem obter para suas subsidiárias na Europa boa receptividade a seus papéis por parte dos investidores.

"O risco Brasil ficaria eliminado da operação", explicou. "Mas o problema é que ainda poucas companhias do Brasil têm operações na Europa de porte suficiente para fazer uma oferta." Atualmente, ele vê a Embraer e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) como as companhias mais habilitadas.