Título: Iraque, ética e economia influenciam o eleitor
Autor: Balthazar, Ricardo
Fonte: Valor Econômico, 09/11/2006, Internacional, p. A12

Negros e latinos, trabalhadores de baixa renda e sindicalizados, judeus e homossexuais, descontentes com o presidente Bush e com a guerra no Iraque. Esse é o perfil de alguns dos eleitores que votaram maciçamente nos candidatos do Partido Democrata para a Câmara dos Deputados nas eleições de terça-feira. Entre os que votaram com mais ânimo nos postulantes do Partido Republicano estão protestantes brancos, defensores de Bush, entusiastas da guerra, americanos de classe alta e eleitores extremamente satisfeitos com a economia.

São esses alguns dos traços do eleitorado americano destacados por uma pequisa de boca-de-urna divulgada ontem no site da rede de notícias CNN, na qual mais de 13 mil pessoas foram ouvidas.

Muitos dos resultados sugerem uma explicação fácil. Entre a fatia de eleitores latinos, 69% optaram pelos democratas. Recentemente o presidente Bush assinou uma lei que cria uma cerca na fronteira entre EUA e México com o objetivo de barrar o fluxo de imigrantes latino-americanos. De modo geral, as posições dos republicanos sobre imigração desagradam os imigrantes. Outro dado: a maioria dos eleitores (53%) com renda anual entre US$ 200 mil ou mais votaram nos republicanos. Sob a gestão Bush, ricos e super-ricos americanos estão entre o grupo dos mais beneficiados por impostos. A guerra no Iraque também aparece no rol das preferências dos eleitores republicanos. Nada menos que 87% dos que votaram no partido de Bush disseram aprovar firmemente a ação liderada pelos EUA. Mas o descontentamento com a guerra, assim como com escândalos recentes em Washington, foram fatores marcantes entre os eleitores dos democratas. Para 60% dos entrevistados, questões nacionais prevaleceram sobre questões locais. Mais de 70% dos eleitores disseram que o terrorismo foi um tema que influenciou seu voto - que acabou dividido entre os dois partidos.

Dos eleitores que se declaram liberais, 87% escolheram os democratas. Entre os homossexuais, a preferência foi de 75%. Faz todo sentido. Uma das propostas da provável futura presidente da Câmara dos Deputados, a liberal Nancy Pelosi é permitir uniões entre parceiros do mesmo sexo no país.