Título: Tendência é formação de "pool" para gerir fundos
Autor: Silva Júnior, Altamiro
Fonte: Valor Econômico, 09/11/2006, Finanças, p. C4

A criação de fundos de pensão por empresas tende a desaparecer. No lugar, devem ganhar espaço cada vez maior os fundos multipatrocinados, onde as companhias determinam o que querem e os bancos cuidam do resto. Santander e Itaú resolveram apostar no segmento, junto com Banco do Brasil, HSBC e Bradesco. Pelo lado das empresas TAM, Belgo Mineira e a multinacional Owens-Illinois estão entre as que optaram por um fundo multipatrocinado.

A principal justificativa das empresas para entrar em um fundo multipatrocinado é a redução de custos e a flexibilidade para definir como será a carteira, avalia Leonardo Paixão, o titular da Secretaria de Previdência Complementar (SPC). Segundo ele, o país tem em torno de 900 planos fechados, com quase 800 desenhos diferentes.

A ArvinMeritor, multinacional americana do setor automotivo, é uma das empresas que tinha um fundo de pensão próprio e resolveu migrar para um multipatrocinado. "Administrar fundo não é nossa especialidade", diz Benedicto Simão, da Arvin. Ele destaca que o fundo próprio exigia a manutenção de uma equipe de especialistas. Além disso, a cada exigência da SPC havia a necessidade de contratar uma consultoria para preparar os papéis. Agora, tudo será feito pelo Bradesco. O fundo da Arvin tem dois mil participantes e R$ 10 milhões em patrimônio.

Na Owens-Illinois, fabricante da marca Cisper de copos e taças, aconteceu mudança semelhante. A empresa tinha um fundo próprio, mas optou por um multipatrocinado, diz Fábio Tichauer, diretor financeiro. O escolhido foi o Itaú. O fundo da Cisper tem 1,6 mil participantes e R$ 50 milhões em patrimônio.

São justamente em empresas como as duas acima que os bancos estão de olho: as que já têm fundo próprio, mas que acham complicado e caro cuidar da carteira. Também estão na mira as companhias que querem oferecer previdência complementar pela primeira vez, destaca Marco Antônio Rossi, presidente da Bradesco Vida e Previdência.

Entre elas está outra multinacional, a Jonh Deere, que produz máquinas agrícolas. Luis Eduardo Mariath, gerente executivo, avalia que custo menor e maior competitividade do banco para aplicar os recursos no mercado financeiro vão trazer melhor desempenho para o fundo, que tem 2,2 participantes e R$ 4 milhões em patrimônio. Com as novas adesões, o fundo multipatrocinado do Bradesco alcançou R$ 400 milhões em patrimônio e 25 clientes (incluindo o Metrô do Rio e a Universidade Mackenzie).

Para o advogado, Adacir Reis, ex-titular da SPC, além das empresas, há também uma tendência de migração dos fundos instituídos - aqueles criados por entidades de classe, como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) - para fundos multipatrocidados. Os instituídos foram lançados em 2004 e começaram a decolar este ano, atingindo 20 mil participantes.

O Brasil é o sétimo país do mundo em previdência complementar. O ranking é liderado por Estados Unidos, Reino Unido e Japão. Dados da SPC mostram, porém, que a participação desta previdência na população ainda é pequena. Considerando só a previdencia complementar fechada, são 2,4 milhões de participantes, que equivalem a apenas 2,6% da população economicamente ativa.