Título: Doha pode ter nova ministerial este ano
Autor: Leo, Sergio
Fonte: Valor Econômico, 06/11/2006, Especial, p. A14

Os países mais ativos na negociação de liberalização comercial da Organização Mundial do Comércio (OMC) poderão fazer mais uma reunião ministerial, ainda este ano, para tentar um acordo até o fim do primeiro semestre de 2007, informou ao Valor o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Ele acredita ser possível concluir um acordo geral até maio ou junho do próximo ano, a ser detalhado nos meses seguintes.

Nessa hipótese, crê que não haveria muita dificuldade para que o Congresso americano dê, ao Executivo dos Estados Unidos, uma extensão da autorização para firmar acordos comerciais sem risco de emendas parlamentares que os desfigurem. Essa autorização, conhecida como TPA, da sigla em inglês (Trade Promotion Authority) vence em julho de 2007, o que exigira um acordo na OMC até março, para haver tempo de apreciação pelo legislativo dos EUA. "Temos muitas conversas técnicas ocorrendo, e são positivas; mas é claro que precisam de apoio político para avançar", comentou.

Amorim disse estar otimista em relação às negociações de livre comércio entre Mercosul e União Européia. Ele informou que o Mercosul também não está parado em relação à abertura de mercado nos países vizinhos. A diplomacia brasileira já acionou o governo do Peru para confirmar se aquele país concedeu, aos Estados Unidos, mais vantagens que no acordo de livre comércio firmado com o Mercosul, no ano passado. Se confirmada a diferença, o Mercosul pedirá a extensão, para o bloco, das facilidades concedidas aos americanos. Logo, pedidos semelhantes serão feitos ao Chile e Colômbia, que também firmaram acordos com os EUA, disse Amorim.

"Os Estados Unidos têm um poder de pressão formidável, que não temos, porque trabalhamos entre iguais", argumentou, para justificar a diferença de resultados entre os acordos firmados pelo Mercosul e os dos Estados Unidos. "Nós firmamos primeiro nossos acordos, botamos o pé na porta", lembrou. "Agora vamos expandir os acordos, estamos negociando um de (abertura para fornecimento de ) serviços com o Chile e vamos negociar com os países andinos."

Sempre haverá diferenças entre os acordos firmados pelo Mercosul e os dos EUA, porém, argumenta Amorim. Segundo o ministro, os Estados Unidos têm buscado tratados de "terceira geração", com a inclusão de temas não previstos na agenda brasileira, como regras mais rígidas na proteção de marcas, patentes e direitos de autor.