Título: Ministros negam ter havido falta de recursos e culpam Aeronáutica
Autor: Basile, Juliano
Fonte: Valor Econômico, 13/12/2006, Brasil, p. A7
Acusados pelo Tribunal de Contas da União de responsabilidade pela crise no setor aéreo, os ministros da Defesa, Waldir Pires, e da Casa Civil, Dilma Roussef, negaram ter havido contingenciamento de recursos para o controle aéreo nacional e indicaram que a responsabilidade pelas decisões no setor é do comandante da Aeronáutica, brigadeiro Luís Carlos Bueno. Segundo Waldir Pires, a crise aérea não decorreu da falta de recursos, mas de problemas de gestão na manutenção do controle aéreo, a cargo da Aeronáutica.
Dilma Roussef afirmou que a Casa Civil não interferiu na oferta de recursos para o controle do tráfego aéreo, e citou nominalmente o comandante da Aeronáutica. "No que se refere a tráfego aéreo, não tenho como responder, mas acredito, pelo menos pelas informações que tenho, que é o que diz o brigadeiro Bueno, não houve contingenciamento de recursos", comentou. "O restante das respostas vocês devem buscar com ele", sugeriu, após reiterar que cabia aos militares a responsabilidade de administrar e preparar o orçamento para o controle do tráfego.
As declarações dos dois ministros coincidiram, ontem, com a apresentação de uma proposta, feita pelos empresários das companhias de aviação, de desmilitarização do controle de tráfego aéreo, que passaria ao controle de uma "Secretaria da Aviação Civil", a ser criada no ministério da Defesa. A Agência de Aviação Civil (Anac), a Infraero (que administra os aeroportos) e todas as atividades relacionadas com a aviação comercial sairiam da esfera militar, segundo defendeu o Sindicato das Empresas de Aviação Civil (SNEA), no Grupo de Trabalho criado para apresentar soluções para a crise.
O SNEA defendeu ainda a criação de um quadro de carreira específico para os controladores de tráfego, com "remuneração compatível com as demais carreiras especializadas", e a permissão legal de promoção ao oficialato para os sargentos hoje empregados como controladores de vôo.
Waldir Pires, ontem, acusou o ministro do TCU Augusto Nardes de "falta de ética" por ter, segundo ele, deturpado as declarações dadas por ele, recomendando "fé" na solução dos problemas do setor. "Criamos um grupo de trabalho com todas as pessoas envolvidas na questão e as coisas estão caminhando bem; acho que o Natal vai ser bom, se Deus quiser", repetiu Pires, que negou a necessidade de mudanças no comando da Aeronáutica.