Título: Renúncia mantém nomeações intactas
Autor: Lyra, Paulo de Tarso
Fonte: Valor Econômico, 06/07/2007, Política, p. A9

Um dia depois da renúncia do senador Joaquim Roriz (PMDB-DF) para evitar a cassação por quebra de decoro, o governo confirmou que não vê razões para exonerar seu afilhado - o vice-presidente de pessoa jurídica da Caixa Econômica Federal, Carlos Antônio de Brito. Nomeado na quarta-feira, Brito foi diretor de planejamento e controle do BRB, secretário-adjunto da Secretaria de Governo do Distrito Federal e subchefe de Gabinete Civil de Roriz no governo de Brasília.

Ontem, pemedebistas de Brasília trataram rapidamente de apadrinhar Brito. "Roriz não tem nada a ver com isso. Quem indicou Brito fui eu. Ele foi meu chefe de gabinete na Câmara Legislativa do Distrito Federal entre 1995 e 1998 e acabou trabalhando no governo Roriz por sugestão minha", sustentou o deputado Tadeu Filipelli (PMDB-DF). O parlamentar disse que o governo aceitou duas indicações da bancada - Brito para a vice-presidência da CEF e Maguito Vilela para vice-presidente de governo do Banco do Brasil.

No Planalto, a versão é de que a indicação de Brito vem sendo negociada desde abril. Como seria uma indicação de bancada, o nome dele foi submetido a três ministros - Walfrido dos Mares Guia (Relações Institucionais), Paulo Bernardo (Planejamento) e Luiz Dulci (Secretaria-Geral da Presidência). Posteriormente, a consulta foi repassada ao Ministério da Fazenda e ao Gabinete de Segurança Institucional. "Foi apenas uma coincidência a nomeação ter sido publicada no dia da renúncia de Roriz", disse uma fonte palaciana.

Se pemedebistas e governo não vêem qualquer desconforto na nomeação de Brito, no grupo é dada quase como certa o retorno de Silas Rondeau ao ministério de Minas e Energia. O líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), conversou com o presidente Lula há cerca de 20 dias e afirmou que o presidente aguarda apenas o término das investigações da Polícia Federal e do Ministério Público para trazer Silas de volta.

O ex-ministro de Minas e Energia deixou o cargo no fim de maio sob a suspeita de ter recebido R$ 100 mil da construtora Gautama. Um ministro próximo do presidente confidenciou a mais de um interlocutor o "desconforto de Lula em ter exonerado o ministro com grandes chances de ter demitido um homem inocente". Passados quase dois meses do início das investigações, o ministro da Justiça, Tarso Genro, acredita na inocência de Silas. "Não existem, tanto no inquérito da Polícia Federal quanto do Ministério Público Federal, nada que incrimine Rondeau", disse Genro.

Eduardo Alves disse que a própria demora de Lula em referendar o nome de Márcio Zimmermann como substituto de Silas é prova de que o presidente espera a conclusão da PF e do Ministério Público para ter certeza se pode ou não contar novamente com ele no governo. Se Silas voltar, o senador José Sarney, que o indicou, volta a estar plenamente atendido. Com isso, os demais cargos do setor elétrico serão escolhidos. Nesse ponto, Eduardo Alves não tem qualquer dúvida. "Com certeza: Luiz Paulo Conde será o presidente de Furnas." O líder do PMDB não teme que Conde seja vetado pelo governo. "As especulações em torno do nome dele acontecem há quatro meses. Não apareceu nenhuma denúncia que impeça essa realidade".

Na época em que o PMDB da Câmara apresentou o nome de Conde para Furnas, os vetos partiam do próprio Silas. O então titular das Minas e Energia achava que Conde não tinha perfil técnico suficiente para o cargo.