Título: Obra na pista de Cumbica ameaça espaço para carga
Autor: Campassi, Roberta
Fonte: Valor Econômico, 28/06/2007, Empresas, p. B8

A maior pista do aeroporto de Cumbica, em Guarulhos (SP), ficará parcialmente interditada para reformas do dia 23 de julho a 15 de dezembro, segundo a Infraero. O impacto das obras deverá recair principalmente sobre o transporte de cargas. Isso porque os aviões terão que utilizar a pista menor do aeroporto, que tem três quilômetros, e serão obrigados a decolar com menos peso.

"A obra vai causar um aperto enorme para o transporte de carga, mas esse já é um problema conhecido", diz Fernando Fetter, diretor de operações da Logimasters, empresa de logística que atua com carga aérea e marítima. Segundo ele, já há dificuldade para conseguir espaço para cargas atualmente, porque a Infraero está finalizando uma reforma na maior pista de Guarulhos, que tem 3,7 quilômetros. "Alguns aviões precisam abrir mão de 50% do espaço de carga para conseguir decolar."

Cumbica é o aeroporto que recebe o maior quantidade de cargas no país. Por ele, passam cerca 35% de todo o volume exportado ou importado em aeronaves. Viracopos, em Campinas, tem o segundo maior movimento cargueiro, com cerca de 30% do volume. A principal diferença entre os dois é que, em Guarulhos, a maior parte da carga é transportada no porão dos aviões de passageiros, enquanto em Viracopos quase todos os vôos são realizados em aeronaves exclusivamente cargueiras.

O maior temor das empresas de logística é conseguir lugar para exportação a partir do segundo semestre, em Guarulhos. Essa é a carga que sai nos vôos internacionais que decolam. E é justamente na decolagem que os aviões precisarão regular melhor o peso, pois estão cheios de combustível.

"Por enquanto, o movimento para exportação está fraco, mas a tendência é de aquecimento no segundo semestre e então podemos ter problemas", diz Francisco Uceda, gerente de produto aéreo da empresa de logística Schenker. Segundo dados da Infraero, o volume de cargas aéreas importadas cresceu 15,3% de janeiro a maio deste ano em relação ao mesmo período de 2006. A quantidade de carga exportada aumentou 6,3%.

A Infraero afirmou que não haverá grande impacto sobre a operação de carga em Guarulhos. "Na pista menor, a capacidade de carga dos aviões vai ser reduzida em apenas 20%", disse o superintendente de cargas da estatal, Luiz Gustavo Schild. "Como a pista maior já vai estar pronta, não haverá problemas."

Segundo as empresas de logística, Guarulhos é gargalo para as operações de carga, assim como Congonhas é o foco dos problemas no transporte de passageiros. A operação padrão dos controladores de vôo, que voltou com força na semana passada, não chegou a prejudicar de forma significativa a operação do transporte de carga, mas mostrou que a malha de vôos em Cumbica não consegue absorver os eventuais atrasos. Por dia, são realizados 450 pousos ou decolagens no local.

"Houve reflexo do apagão nas cargas, mas não foi uma situação crítica", diz Fetter. "O problema são os outros apagões, como a falta de espaço nos aviões ou as greves dos órgãos públicos."

Segundo Norberto Jochmann, presidente da Absa Cargo, companhia aérea cargueira que só opera a partir de Viracopos, Guarulhos já está muito congestionado. Outro problema, segundo ele, é o fato de que funcionários da Receita e da Polícia Federal precisam dividir suas atenções entre o transporte de passageiros e de cargas, o que não ocorre em Viracopos.