Título: Texto agrícola e Congresso dos EUA também tornam acordo mais difícil
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Fonte: Valor Econômico, 23/07/2007, Especial, p. A16

Os Estados Unidos mostram-se os mais hesitantes para fechar um acordo na Rodada Doha, constatam importantes negociadores em meio a nova fase da negociação global. A avaliação é de que a administração Bush "vendeu" ao Congresso a possibilidade de um acordo com boa margem de subsídios agrícolas domésticos, mas constata que isso é cada vez menos possível.

O Brasil e outros exportadores, por mais que queiram a conclusão da rodada, não aceitarão "de jeito nenhum" que os subsídios americanos que mais distorcem o comércio sejam limitados a US$ 16 bilhões, que é uma das opções propostas pelo mediador agrícola, Crawford Falconer.

Na verdade, quanto mais demora a negociação, mais a ambição por corte nos subsídios agrícolas aumenta. Só que o Congresso americano mostra pouca disposição de cortar subvenções antes da campanha eleitoral para presidente. A elaboração da nova "Farm Bill", a lei agrícola americana, pode mesmo é aumentar os subsídios a disposição dos agricultores, sobretudo para soja e algodão, que concorrem com a produção brasileira.

Na semana passada, o presidente do Comitê de Agricultura da Casa dos Representantes, apoiado pela líder democrata Nanci Pelosi, propôs aumentar para US$ 1 milhão, o limite de subsídios por agricultor, ignorando proposta cinco vezes menor da administração Bush.

Em Bruxelas, o comissário europeu de comércio, Peter Mandelson, após ter se encontrado com o ministro Celso Amorim, disse ter visto sinais de que o Brasil "quer alcançar um acordo" mas que, com as eleições americanas se aproximando, o tempo da Rodada estava encurtando. Nesta terça, os países deverão reagir ao texto agrícola proposto, que tem sofrido menos críticas que o industrial. (AM)