Título: PT conta com votos de tucanos
Autor: Maria Lúcia Delgado
Fonte: Valor Econômico, 20/01/2005, Política, p. A6
O PT contava com a candidatura de Virgílio Guimarães (MG) à presidência e, por isso, intensificou a articulação política para assegurar a vitória de Luiz Eduardo Greenhalgh (SP) ainda no primeiro turno. Para derrotar o mineiro, além da força já conhecida da caneta do governo, que inclui especialmente nomeações dos aliados na estrutura administrativa, o PT conta com a ajuda do PSDB. Nos últimos dias, foram intensificados os contatos com os tucanos. A expectativa do governo é que seja possível conseguir o apoio maciço do PSDB. O PT faz mapeamentos diários nas bancadas e acha possível ter 300 votos para Greenhalgh. No PL, PP e PMDB espera 50% dos votos. No PTB, apenas 30% a 20%. Na conta, estão de 20 a 25 votos do PFL. Os petistas acreditam que o maior sinal de fidelidade e respeito às decisões partidárias institucionais virá do próprio PT, do PSB e PCdoB. Mesmo o voto sendo secreto, os mapeamentos darão mais clareza sobre as traições. "Você sempre sabe quando alguém está te traindo", sentenciou um petista encarregado das análises nas bancadas. Para deixar bem claro aos aliados que o PT está em peso apoiando o candidato escolhido oficialmente pelo partido, os deputados estão recebendo correspondências da bancada petista e da direção nacional da legenda. "Em consideração à trajetória de Greenhalgh, a bancada do PT solicita a todos os parlamentares o voto nesse colega, tanto em respeito o princípio da proporcionalidade, quanto pela segurança de que ele honrará as melhores tradições democráticas desta Casa", diz trecho da carta do PT, assinada por 87 deputados. Só não assinaram Virgílio Guimarães, Ivo José (PT-MG), e Jorge Boeira (PT-SC). Em outra carta, assinada pelo líder da bancada, Arlindo Chinaglia (SP), e pelo presidente nacional do PT, José Genoino, os dirigentes petistas enfatizam que "Greenhalgh é o candidato oficial do partido na eleição marcada para o dia 14 de fevereiro". O deputado Greenhalgh afirmou ontem que a disputa com Virgílio certamente não é o cenário que ele imaginava. "Se eu disser que é bom, estaria mentindo, Mas, é o cenário da realidade. Em política, operamos na realidade", argumentou. O paulista reuniu-se ontem com o presidente do Senado, José Sarney, e com os líderes pemedebistas no Senado, Renan Calheiros (AL), e na Câmara, José Borba (PR). Ele admitiu que está revendo estratégias diante do novo quadro. "Eu vou continuar a me preocupar com a minha candidatura", alegou. (MLD)