Título: Brasil quer dobrar comércio com México até 2010
Autor: Costa, Raymundo
Fonte: Valor Econômico, 06/08/2007, Brasil, p. A2

No hall de entrada do luxuoso Intercontinental, há uma placa com as dezenas de chefes de Estado que já se hospedaram no hotel. Ao lado do nome de Fernando Henrique Cardoso, há um espaço destinado para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que a partir desta semana desencadeia a maior ofensiva diplomática e comercial ao quinto maior mercado das exportações brasileiras na região.

Bem humorado, mas sem se aprofundar em comentários sobre a pesquisa Datafolha, segundo a qual sua popularidade não foi afetada pelo acidente da TAM, Lula desembarcou ontem no México dizendo que está na cidade "para vender a imagem do Brasil, os produtos brasileiros, e para comprar a imagem dos produtos mexicanos". Sobre a pesquisa, na qual mantém inalterado seu índice de popularidade, disse que não está preocupado. Segundo ele, o país entrou "definitivamente" no rumo do crescimento econômico e do desenvolvimento e "o povo sente isso, tem percebido isso como conquistas diretas da sociedade".

A Cidade do México é a primeira escala de um périplo de cinco dias que incluirá Honduras, Nicarágua, Jamaica e Cidade do Panamá. É também a mais importante. Após um estado de letargia nas relações bilaterais, acentuada no governo Vicente Fox, Lula pretende oferecer ao atual presidente mexicano, Felipe Calderón, uma pauta que inclui assistência intensiva na área agrícola, estabelecimento de protocolos de incentivo à cooperação energética nos campos de petróleo e de biocombustíveis e negociações para dobrar, até 2010, o comércio entre os países.

Em 2006, as trocas bilaterais atingiram US$ 5,7 bilhões, com saldo positivo de US$ 3,1 bilhões para o lado brasileiro. Os investimentos do México no Brasil chegam a US$ 6,5 bilhões. O Brasil acumula apenas US$ 500 milhões de investimentos no México. O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Armando Monteiro, que preside a missão com 50 empresários brasileiros, acredita que um maior equilíbrio pode ser alcançado. "A cultura do empresariado brasileiro sempre foi a de captar investimentos, não é a de um exportador, o que deve mudar num mundo internacionalizado."

A principal agenda da missão l brasileira é ampliar o acordo de preferências Brasil-México, que hoje abrange cerca de 800 itens. Mas há dificuldades também nesse aspecto, principalmente nos setores têxtil e de eletroeletrônicos, pois o México tem acesso aos produtos chineses em condições bem mais vantajosas. Brasil e México apostam num acordo energético. Um memorando de cooperação prevê a possibilidade de parcerias tecnológicas em terceiros países, na exploração de águas profundas. Na área de biocombustíveis, o Brasil oferece a transferência gratuita da tecnologia de desenvolvimento de canaviais e produção de etanol.