Título: País representa 22% da aliança em motor
Autor: Marli Olmos
Fonte: Valor Econômico, 20/01/2005, Empresas &, p. B7
Os primeiros passos da sinergia entre Fiat e General Motors apresentaram no Brasil uma força superior ao resto do mundo. Ao contrário da Itália e Estados Unidos, onde estão as matrizes das duas montadoras, no Brasil ambas têm fábricas. Por isso, foi muito mais fácil unificar as áreas de compras e a produção de motores e transmissões, que marcaram a primeira fase da aliança firmada em 2000. A produção brasileira de motores e transmissões - distribuída entre a unidade da Fiat, em Minas Gerais, e na General Motors, em São Paulo - representa 22% do total da joint venture no mundo. No Brasil funciona um dos sete centros de desenvolvimento mundiais da Powertrain, a empresa criada pelas duas montadoras para a produção de motores e transmissões. A Powertrain tem 17 fábricas e quase 20 mil funcionários em nove países. Com capacidade para produzir 1,2 milhão de motores e mais de 1 milhão de transmissões por ano, as fábricas brasileiras conseguiram redução superior a 15% no custo de manufatura. Ações como o uso de máquinas em comum elevaram a utilização da capacidade em mais de 7% desde o início da operação da Powertrain, em 2001. A meta era chegar a 18% até 2006. Hoje, todos os carros da Fiat com motor 1.8 - linha Palio e Stilo - são abastecidos com motores produzidos na fábrica da GM de São José dos Campos. A empresa esperava ampliar a gama de motores compartilhados antes de 2005. Isso significava a inclusão dos modelos como as versões 1.0. Especulava-se que carros GM levariam motores Fiat. Mas, diante do impasse nas negociações entre as direções mundiais dos dois grupos, nenhum executivo comenta como andam os planos. "Essa pergunta deve ser feita ao Rick Wagoner", disse ontem o presidente da GM do Brasil, Ray Young, referindo-se ao presidente mundial da empresa. Durante a abertura do salão do automóvel de Detroit, há pouco mais de uma semana, Wagoner demonstrou irritação diante de todas as perguntas a respeito do assunto. "Sabe como se soletra Fiat? No comments (sem comentários)", brincou. A segunda parte da sinergia - a que mais incomodou os fabricantes de autopeças no Brasil - foi a fusão das áreas de compras. Com a aliança, esse novo comprador soma hoje 56% do mercado. Uma força que ajudou a reduzir preços, tanto por conta de pressões sobre os fornecedores como pelo resultado de comparações. Técnicos da Powertrain, segundo fontes, detectaram diferenças que chegavam a 25%. Com menos tempo de Brasil, a Fiat, dona de um projeto chamado de "mineirização" do fornecimento, conseguia preços mais baixos. Nesse caso, a GM tirou proveito. Mas a montadora italiana se preparava para, nas próximas etapas da sinergia, pegar carona na tecnologia da GM para fabricar automóveis grandes e utilitários esportivos. O ex-superintendente mundial da divisão de automóveis da Fiat, Giancarlo Boschetti, chegou a confirmar, durante uma visita ao Brasil a informação de que o Corsa, da GM, e o Punto - compacto da Fiat na Itália - utilizariam a mesma plataforma a partir de 2005. (MO)