Título: GM lucra US$ 85 mi na área que inclui as vendas no Brasil
Autor: Marli Olmos
Fonte: Valor Econômico, 20/01/2005, Empresas &, p. B7

A General Motors registrou na região que engloba América Latina, África e Oriente Médio lucro líquido de US$ 85 milhões em 2004, ante prejuízo de US$ 331 milhões registrado em 2003. A operação brasileira ainda fechou com prejuízo, mas foi responsável por 70% das entregas de veículos da marca na América Latina. "Nosso prejuízo alcançou dois dígitos", disse ontem o presidente da operação brasileira, Ray Young, sem detalhar números. Segundo ele, as perdas no Brasil caíram à metade na comparação com o resultado de 2003. No balanço mundial, os lucros da General Motors caíram 37% no quarto trimestre, período em que os custos com os planos de saúde dos funcionários aumentaram e a montadora perdeu dinheiro na Europa. O lucro líquido caiu para US$ 630 milhões (US$ 1,11 por ação), em comparação a US$ 1 bilhão (US$ 2,13) no quarto trimestre de 2003. No total do ano, o lucro líquido caiu para US$ 3,7 bilhões, ante o resultado de US$ 3,8 bilhões de 2003. Por outro lado, a maior montadora do mundo registrou faturamento recorde de US$ 193 bilhões em 2004. O desempenho da operação brasileira foi elogiado em Detroit pelo presidente mundial da GM, Rick Wagoner, durante o anúncio do balanço geral da companhia. "Estamos particularmente felizes com o nosso desempenho no Brasil", destacou Wagoner no comunicado dos resultados do grupo em todo o mundo. A participação da marca nas regiões da América Latina. África do Sul e Oriente Médio aumentou de 16,3% em 2003 para 17,4% no ano passado. As operações da GM no Mercosul registraram, em 2004, recorde histórico de produção, superior a 620 mil unidades entre veículos montados e desmontados. As exportações cresceram 30,4%, num total de US$ 1,573 bilhão. A respeito das vendas externas, Young está, entretanto, menos otimista em relação ao exercício de 2005. Segundo o executivo, a desvalorização do dólar representa "uma ameaça". Nos Estados Unidos, a queda nos lucro provocou a reação dos analistas. "Enquanto a General Motors não conseguir controlar seus custos fixos, os lucros continuarão caindo", diz Brian Bruce, que ajuda a administrar US$ 17 bilhões para a PanAgora Asset Management de Boston. A GM teve lucros automotivos "insuficientes" no ano passado, com sua participação no mercado mundial caindo um décimo de ponto percentual, para 14,5%, disse em 13 de janeiro, a analistas, o diretor financeiro John Devine. Wagoner previu, também em 13 de janeiro, que o lucro de 2005 deve cair de US$ 4 a US$ 5 por ação. As ações da GM tiveram uma desvalorização de 25% no ano passado, enquanto o índice Standard & Poor´s 500 subiu 9%. A GM reduziu em 10,5% a produção na América do Norte no quarto trimestre, para 1,2 milhão de veículos, segundo a AutoInfoBank. A produção total na América do Norte no quarto trimestre caiu 2,4% para 3,8 milhões de veículos. A participação de mercado da GM nos EUA caiu para 27,5% no ano passado, de 29,2% em 1999, com montadoras asiáticas como a Toyota, Honda e Nissan ganhando vendas com novos veículos utilitários esportivos e caminhões. Os lucros da General Motors Acceptance Corp., a financeira da GM, que vem sendo mais lucrativa que as operações automobilísticas do grupo desde 2002 e ajudaram a compensar as perdas na área automobilística, atingiram um nível recorde em 2004. O lucro líquido da unidade será corroído pela alta dos juros e deve recuar para pelo menos US$ 2,5 bilhões este ano, disse a GM na semana passada. O recorde anterior foi de US$ 2,79 bilhões em 2003. Os planos de saúde continuam sendo o maior ralo dos lucros da GM, a maior fornecedora de planos de saúde dos EUA, segundo informou Wagoner na semana passada. Os pagamentos em dinheiro para os planos vão aumentar de US$ 5,2 bilhões no ano passado para US$ 5,6 bilhões este ano. Os pagamentos somaram US$ 4,8 bilhões em 2003. A GM está buscando mudanças como a redução de processos envolvendo condutas médicas inadequadas e a melhoria das medidas de eficácia dos medicamentos, entre outras medidas, disse Wagoner na semana passada. A montadora americana também fez uma baixa contábil no valor de US$ 220 milhões referente aos 10% que possui na Fiat Auto. A aliança que General Motors e Fiat iniciaram em 2000 poderia trazer redução de custos anual de mais de US$ 1 bilhão para cada uma a partir desse ano. A maior parte do resultado veio da sinergia na produção de motores e transmissões. Nessa sinergia, o grupo também estava se preparando para compartilhar plataformas de veículos pequenos e luxuosos, como o Alfa Romeo, do grupo Fiat, e o Saab, da GM. (Com agências internacionais)