Título: Para Temer, Pasta da Defesa fortaleceu PMDB
Autor: Costa, Raymundo
Fonte: Valor Econômico, 02/08/2007, Política, p. A10

O PMDB vai apoiar e dar sustentação às ações do ministro Nelson Jobim no Ministério da Defesa, segundo acordo fechado ontem entre o ministro e o presidente do partido, Michel Temer. O deputado paulista acredita que o partido saiu fortalecido com a escalação de Jobim para a Defesa e deve responder por isso com votações mais unitárias na Câmara e no Senado.

Muito embora Jobim tenha sido nomeado na cota pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do PMDB diz que o considera "um nome do partido", que deve ampliar a influência dos pemedebistas no núcleo de decisões do governo - Jobim participará das reuniões da coordenação de governo, onde são decididas as linhas-mestras da ação governamental.

"A idéia é de integração entre o ministro e o partido, que o apoiará nas suas decisões", disse Michel Temer. Questionado sobre se isso se aplicaria também à abertura do capital da Infraero, Temer disse que ainda não pensou profundamente sobre o assunto. Temer e Jobim almoçaram ontem no prédio do Ministério da Defesa, quando acertaram a relação do ministro e do partido.

Temer também destacou a decisão do governo de nomear o ex-prefeito do Rio Luiz Paulo Conde para a presidência de Furnas, uma reivindicação de setores do PMDB do Rio de Janeiro. A demora na nomeação de Conde atrasou o cronograma de votação da CPMF, pois o deputado Eduardo Cunha (RJ) deixou para entregar seu relatório no último dia antes do recesso da Câmara, insatisfeito com as evasivas do Planalto sobre a indicação.

Com a demanda do Rio atendida, Temer acredita que o PMDB voltará a apresentar um alto índice de votação em favor dos projetos de interesse do governo na Câmara. "Entretanto, até o momento, o alto preço político pago pelo presidente pouco alterou o percentual médio de apoio ao governo", diz um estudo da consultora Arko Advice. "No primeiro mandato de Lula, o apoio médio da legenda ao Palácio foi de 62,48%. Entre fevereiro e julho, de 63,82%. É o segundo pior percentual de adesão entre os principais partidos da base, acima apenas do PP (59,43%)". Mas acabou o semestre com um percentual de adesão (variação de 14%) maior ao governo.

Temer, no entanto, diz que houve votações em que, descontadas as ausências, o índice chegou a mais de 80% da bancada. Além disso, o grau de adesão do partido ao governo não deveria ser medido apenas pelas votações, argumenta o deputado, pois é intenso o trabalho dos pemedebistas nas comissões e nas articulações para impedir a criação de CPIs prejudiciais ao governo. Com a bancada do Rio acalmada e com os gaúchos felizes com a nomeação de Jobim, o presidente acredita que o percentual de apoio deve crescer.

O almoço entre Temer e Jobim selou de vez a paz entre os dois pemedebistas, que trocaram farpas durante a eleição para a presidência do PMDB, no início do ano. Mas a maior mágoa de Jobim era com o presidente Lula, que o estimulou a lançar sua candidatura contra Temer, mas depois abandonou o projeto, ao sentir que o deputado paulista tinha mais chances na disputa. "Ele está animado, integrado ao partido. E ajuda a integrar ainda mais o PMDB ao governo", disse Temer. O dirigente pemedebista registrou as reações surgidas no PT à substituição de um petista - Waldir Pires - por um pemedebistas, mas evita se manifestar sobre o assunto para não criar áreas de arestas ainda mais difíceis de serem superadas.

Com a nova condição de Jobim, o presidente do PMDB acredita que haverá não só uma maior integração partidária com o governo, como os pemedebistas também ganham uma alternativa para a sucessão presidencial de 2010, caso o novo ministro tenha êxito na missão que lhe foi conferida pelo presidente Lula - solucionar a crise aérea que já se estende por 10 meses, desde o acidente com um avião da GOL, em setembro do ano passado. Apesar das dificuldades porque passa Renan Calheiros no Senado, Temer diz que "o partido está unificado, e o governo se apercebeu disso ao chamar Jobim".