Título: Porto opera com malte importado da Argentina
Autor:
Fonte: Valor Econômico, 03/08/2007, Empresas, p. B6

O Porto do Forno, na praia dos Anjos, em Arraial do Cabo, passa por mudanças depois de servir por décadas, exclusivamente, na movimentação de sal. A empresa Barley Malting Company, controlada por empresários de Sorocaba (SP), investe cerca de R$ 13 milhões no porto em estrutura de automação para desembarque e estocar granéis sólidos, incluindo seis silos.

Um primeiro navio carregado de malte importado da Argentina deve atracar no porto no fim deste mês ou início de setembro. O produto será fornecido à cervejaria no Estado. A importação de malte pelo Porto do Forno é uma das apostas de Arraial do Cabo para diversificar as atividades econômicas do município. Administrado pelo município, atendeu às operações da CNA por longos anos.

"A deterioração da Álcalis foi negativa porque 70% da receita do porto vinham da empresa. Mas por outro lado o porto ficou liberado quase de um monopólio de atividade, que era o granel de sal", diz Atila Szabó, presidente do Porto do Forno. O sal que abastecia a CNA vinha do Rio Grande do Norte, mesma origem do produto que ainda hoje abastece a Sal Cisne, empresa de Cabo Frio (RJ), que fornece sal para indústria e consumo humano.

A Sal Cisne ainda opera pelo Porto do Forno, mas viu os custos portuários aumentarem com a paralisação da Álcalis já que não teve mais com quem dividir estes custos. Agora com a entrada de novos produtos, as perspectivas melhoram. "Com situação financeira melhor, o porto talvez possa investir e melhorar a operação", diz Max Bosch, diretor da Sal Cisne.

Luiz Carlos Faccim, diretor da Barley Malting Company, diz que a empresa tem contrato operacional com o porto do Forno por cinco anos, renovável por igual período. A empresa também busca contratos com grandes cervejarias e com moinhos para movimentar malte e trigo. No porto estão em fase final de construção e montagem seis silos com capacidade de armazenar 3,7 mil toneladas cada um.

Szabó diz que o porto ainda não pode arrendar áreas para concessionários porque, primeiro, precisará concluir o Plano de Desenvolvimento e Zoneamento (PDZ), que foi encomendado à empresa Mercoshiping. Existe a expectativa de que os primeiros editais de arrendamento do Porto do Forno sejam lançados no segundo trimestre de 2008. O porto tem potencial de atrair o interesse de empresas que atuam ou prestam serviços à indústria de petróleo e gás.

O porto está inserido também em uma iniciativa de desenvolvimento da Região dos Lagos, chamada de Conlagos 1. Trata-se de um convênio, ainda não assinado, que busca combinar esforços dos governos federal e estadual, dos municípios da região e de estatais como Petrobras e BNDES.

O projeto prevê ações na indústria de base, incluindo a CNA e a fabricação de barrilha; no segmento de energia, com destaque para a eólica, além de prever projetos na área de transportes e logística.

O aeroporto, administrado pela concessionária Costa do Sol, foi instalado em área desapropriada da CNA. Ainda existe uma discussão jurídica entre a nova gestão da Álcalis e o município de Cabo Frio sobre os valores da desapropriação. Francisco Pinto, sócio da concessionária que explora o aeroporto, disse que avalia-se uma parceria com a CNA para estender a área do aeroporto em terreno vizinho da fabricante de barrilha. (FG)