Título: Nuclep inicia a construção do casco da plataforma P-51
Autor: Francisco Góes
Fonte: Valor Econômico, 21/01/2005, Empresas &, p. B4
O corte de uma chapa de aço deu início simbólico, ontem, à construção do primeiro casco de uma plataforma semi-submersível no Brasil, a P-51, que irá operar no campo de Marlim Sul, na Bacia de Campos, a partir do segundo semestre de 2007. A obra é considerada um marco pois permitirá que a plataforma, orçada em R$ 2,3 bilhões, seja quase integralmente construída no Brasil. O projeto do casco será desenvolvido na Nuclebrás Equipamentos Pesados (Nuclep), empresa ligada ao Ministério de Ciência e Tecnologia situada no município de Itaguaí (RJ). A construção do casco foi viabilizada pela renúncia fiscal do governo do Estado do Rio, que isentou a Petrobras, dona da encomenda, do pagamento de mais de US$ 100 milhões em ICMS na construção de todo o projeto da plataforma. A medida garantiu à estatal a rentabilidade do empreendimento, com grande parte das encomendas sendo colocadas no Brasil. O Estado calcula o incentivo em US$ 150 milhões, mas cálculos da Petrobras apontam para US$ 110 milhões em isenção de ICMS. Os módulos de energia elétrica da P-51 serão construídos pela Rolls Royce em um estaleiro de Niterói (RJ). As obras dos módulos de compressão de gás caberão à Nuovo Pignonge, também em Niterói. Já as integrações do casco e da planta de processo e utilidades da plataforma ficarão sob responsabilidade do consórcio Fels Setal Technip. O consórcio já tinha ganho licitação para construir a P-52, também para a Petrobras. A montagem da P-51, que terá capacidade de produzir 180 mil barris de petróleo/dia, será feita no estaleiro BrasFles, de Angra dos Reis, pertencente ao grupo Keppel Fels Brasil. A expectativa é atingir um índice de nacionalização de 70%. Como contrapartida dos incentivos, o governo fluminense exigiu que o casco da P-51 fosse feito na Nuclep, o que permitiu a reativação da estatal, criada em 1975 para atender o programa nuclear brasileiro. Jaime Cardoso, presidente da Nuclep, disse que a empresa, que ocupa área de um milhão de metros quadrados, estava com 80% de ociosidade e agora passará a trabalhar com 80% de ocupação. Além de responder pelo casco da P-51, a Nuclep ganhou contrato da francesa Framatome para construir dois geradores de vapor para a usina nuclear de Angra 1, numa encomenda de 8 milhões de euros. Cardoso estimou que o casco da P-51 vai gerar mil empregos diretos na região de Itaguaí e significará faturamento de US$ 32 milhões para a Nuclep. Nos últimos anos a empresa vinha registrando prejuízos médios da ordem de R$ 35 milhões/ano, mas o cenário está mudando. "Em 2005 devemos empatar e no ano que vem a expectativa é voltar ao lucro", diz Cardoso. As obras devem levar 18 meses. Serão construídas 16 peças de aço com peso individual entre 350 e 400 toneladas. Essas peças serão levadas até o terminal portuário da Nuclep na enseada de Coroa Grande, seguindo por barcaça até o BrasFels, em Angra, onde será feita a integração das diferentes partes da plataforma. José Pedro Mota, gerente de construção da P-51 no consórcio Bras Fels Technip, calcula que a plataforma consumirá 46 mil toneladas de chapas de aço, sendo mais de 90% fornecidos pela Cosipa. Cerca de 4 mil toneladas de aço, correspondentes a peças fundidas usadas na amarração do casco, serão trazidas de Cingapura. Wagner Victer, secretário de Energia, Indústria Naval e Petróleo do Estado do Rio, avaliou que a retomada da Nuclep, onde, segundo ele, o governo federal investiu US$ 500 milhões, permite à empresa pensar em outros projetos. "Estudamos transformar parte da Nuclep em um estaleiro que poderia fazer blocos de navios para outras empresas", disse.