Título: Lucro do BB tem queda de 36% no semestre
Autor: Ribeiro, Alex
Fonte: Valor Econômico, 15/08/2007, Finanças, p. C11
O Banco do Brasil lucrou R$ 2,477 bilhões no primeiro semestre, uma queda de 36,3% em relação aos R$ 3,889 bilhões ocorridos no mesmo período de 2006. A retração do resultado, porém, deve-se apenas a fatores episódicos - os quais, quando depurados, mostram melhora no desempenho. O indicador que sugere essa evolução positiva é o chamado lucro recorrente, que subiu 84%, de R$ 1,586 bilhão para R$ 2,923 bilhões. Nesse critério, são excluídos fatores extraordinários que afetam o resultado, como uma receita total de R$ 1,905 bilhão em créditos tributários ativados em 2006, em decorrência de mudanças nos critérios estabelecidos pelo Banco Central.
Um fator episódico que pesou desfavoravelmente no semestre foi um programa de aposentadoria antecipada, que consumiu R$ 676 milhões. Mas o ajuste tende a reduzir as despesas com pessoal daqui para frente.
O que o lucro recorrente mostra é que, a despeito da queda do lucro em relação a 2006, melhorou o resultado mais perene do banco. Quatro fatores principais ajudaram o BB a apresentar um desempenho mais favorável: 1) a forte expansão da carteira de crédito; 2) a manutenção de um "spread" relativamente elevado, a despeito da queda na taxa básica de juros definida pelo BC; 3) o aumento das receitas com prestação de serviço; 4) e um controle satisfatório da inadimplência. A carteira de crédito cresceu 28,4% de junho de 2006 e de 2007, chegando a R$ 145,2 bilhões. O BB avançou mais rápido que a média de mercado, que cresceu 21,4%. Entre os grandes bancos de varejo, o BB ficou atrás apenas do Itaú, que cresceu com maior força graças à aquisição das operações do BankBoston no Brasil, ocorrida em 2006.
O crescimento do BB é resultado de um remodelamento de sua estratégia, anunciada em fins de 2005. O banco decidiu investir mais pesado no crédito consignado, que registrou crescimento de 68,4%, chegando a R$ 10,2 bilhões, sempre na comparação entre de junho de 2006 e de 2007. A aposta do BB é que o crédito consignado, apesar dos juros mais baixos, poderá gerar retornos maiores, graças às taxas mais baixas de inadimplência. Outro nicho em que o BB vem investindo pesado é o financiamento a veículos, que cresceu 304, 5%, a partir de uma base modesta, chegando a R$ 1,7 bilhão. Também houve crescimento expressivo nas carteiras de crédito a micro e pequenas empresas (28,8%, para R$ 21,4 bilhões) e a médias e grandes empresas (39,6%, para 35 bilhões).
O crescimento da carteira ocorreu sem sacrifícios relevantes à margem do banco, apesar da queda dos juros básicos. O "spread" médio anualizado foi de 7,9% no segundo trimestre de 2007, com leve queda em relação aos 8,1% observados em período correspondente de 2006. O "spread" sofreu pouco porque o BB está aplicando mais ativos a taxas prefixadas.
O resultado recorrente do banco foi reforçado também com receitas de prestação de serviço - incluem as tarifas -, que subiram 10,7%, para R$ 4,8 bilhões. Esse avanço não se explica apenas pelo crescimento da base de clientes (alta de 5,1%, para 24,9 milhões). O presidente do BB, Antônio Francisco Lima Neto, explica que o banco conseguiu segmentar melhor seus clientes, aumentando as tarifas de relacionamento. "Esse aumento de arrecadação é bom e é justo", afirmou. "O banco oferece mais serviços para o cliente, que entende que o pacote é razoável." O resultado também é ajudado por um controle mais firme do risco de crédito.
A taxa média de inadimplência, calculada com base na provisão requerida sobre a carteira total, caiu de 6,8% para 5,4% entre junho de 2006 e de 2007. O BB faz menos provisões porque a inadimplência é menor. As operações a pessoas físicas vencidas há mais de 90 dias caíram de 6,8% para 5,8%, enquanto no mercado como um todo foi de 7,2% para 7,1%. O retorno sobre o patrimônio líquido anualizado é de 24,3%. Se considerado o resultado recorrente, sobe para 29%.