Título: Prazo de financiamento imobiliário vai a 30 anos
Autor: Ribeiro, Alex
Fonte: Valor Econômico, 29/08/2007, Finanças, p. C8
A Caixa Econômica Federal deu mais um lance na sua disputa com os bancos privados pelo mercado de crédito imobiliário, ampliando o prazo de financiamento de 20 para 30 anos. Foi a resposta a um movimento recente do Bradesco e do Itaú, que passaram a oferecer empréstimos com prazo de 25 anos. A Caixa também anunciou cortes nos juros, a criação de um produto especialmente voltado para imóveis avaliados entre R$ 130 mil e R$ 200 mil e a redução nos custos do seguro e da taxa de administração, no caso dos financiamentos com recursos do Fundo de Garantia do tempo de Serviço.
As medidas foram anunciadas pela Caixa com o objetivo de manter em 37% sua participação no mercado de financiamentos com recursos da caderneta de poupança. O banco, que até agosto já emprestou R$ 3,6 bilhões nesse nicho de mercado, tem orçamento de R$ 5 bilhões para aplicar até o final do ano. "Estamos preparados para aumentar os recursos disponíveis, caso se faça necessário", disse o vice-presidente de governo da Caixa, Jorge Fontes Hereda.
Os bancos estão assumindo maiores riscos no mercado de crédito mobiliário, e os imóveis em algumas grandes cidades apresentaram expressiva valorização, mas a Caixa não acredita que a acirrada disputa de mercado vá levar a problemas como os identificados nos EUA. "Há muitas diferenças entre o mercado brasileiro e o americano, sobretudo quanto à originação dos créditos", disse Hereda. "Aqui, quem faz a avaliação dos créditos somos nós, os bancos." Ele reconhece que, com a extensão dos prazos, os bancos vão passar a correr um pouco mais de risco. Mas, segundo Hereda, esse é um risco sob controle. "Fizemos uma exaustiva análise de nossa carteira de crédito e concluímos que, quando os prazos aumentam, os riscos não crescem tanto.". Como forma de atenuar a maior exposição ao risco, a Caixa estabeleceu um limite mais rígido para a cota do financiamento (parcela do valor do imóvel que pode ser financiada) quando o prazo do empréstimo chega a 360 meses. Nos empréstimos com prazo até 240 meses, a Caixa financia até 80% do valor do imóvel; em financiamentos até 360 meses, o máximo é de 70% do valor do imóvel.
A Caixa também inovou a criar um produto, com juros mais baixos, para financiar imóveis avaliados entre R$ 130 mil e R$ 200 mil. Os juros desses financiamentos caem de 12% para 11% ao ano, ou para 10,5%, caso as prestações sejam descontadas em folha de pagamento de salário. Até então, havia um segmento com juros mais baixos apenas para imóveis avaliados até R$ 130 mil. O BC criou em 2005 uma espécie de incentivo, conhecido como multiplicador, para esses tipos de financiamentos. Nessa faixa, a Caixa cobra juros de 9% ao ano. Imóveis avaliados a partir de R$ 200 mil continuam a pagar juros anuais de 12%. (AR)