Título: Divergência da oposição adia instalação de CPI das ONGs
Autor:
Fonte: Valor Econômico, 23/08/2007, Política, p. A7
Falta de acordo entre o PSDB e o DEM do Senado adiou a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) proposta para investigar o uso de recursos do governo federal a organizações não governamentais (ONGs) e organizações sociais civis de interesse público (Ocips), de 1999 a 2006.
Parceiros na oposição ao governo Lula, PSDB e DEM disputam o cargo de relator. Por trás dessa queda-de braço, estão as divergências que os dois partidos estão mantendo na Câmara dos Deputados. "Não somos filial do DEM", afirmou o líder tucano, Arthur Virgílio (AM).
Segundo ele, como a CPI do Apagão Aéreo do Senado tem um presidente do PT - Tião Viana, do Acre - e um relator do DEM - Demóstenes Torres, de Goiás -, a vaga, agora, deveria ser do PSDB, com base na prática do rodízio entre os partidos. Entre os democratas, há a suspeita de que o governo está por trás da reivindicação do PSDB. O objetivo seria evitar que um senador do DEM, que faz uma oposição mais radical ao governo, seja o relator.
O DEM indicou Raimundo Colombo (SC) para a relatoria, já que o senador Heráclito Fortes (DEM-PI), autor do requerimento criando a CPI, abriu mão de ocupar a vaga. "Heráclito abriu a vaga de relator para o Colombo, mas sem a gente saber", disse o líder do PSDB. O presidente da comissão deve ser um pemedebista.
Virgílio admite que há uma insatisfação maior em relação ao tratamento recebido dos democratas - principalmente na Câmara, onde o líder do DEM, Onyx Lorenzoni (SC), destituiu o deputado Zenaldo Coutinho (PA) da liderança do bloco da minoria. Colocou o democrata André de Paula (PE) no lugar.
"Foi uma grosseria que fizeram com o deputado Zenaldo. Causou profundo mal-estar", disse o líder do PSDB no Senado. "Ele foi destituído porque está faltando equilíbrio, porque não estão respeitando nossos companheiros na Câmara", completou.
Outra queixa dos tucanos refere-se à cobrança dos democratas para que o PSDB tome posição contrária à CPMF. "Vamos decidir o que quisermos", disse Virgílio.
A reunião para instalação da nova CPI do Senado estava marcado para a manhã de ontem, mas o PSDB boicotou abertamente. Com apoio do PT e do PMDB, Virgílio conseguiu evitar o quórum necessário. "Negamos o quórum com clareza. Não estamos nada satisfeitos. É preciso isonomia e respeito mútuo", afirmou o tucano.
Os líderes buscavam ontem à tarde uma solução que viabilize a instalação da CPI. Virgílio defendeu que a senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO) fosse designada para relatar a investigação. (RU)