Título: Brasil espera definição sobre Doha até outubro
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Fonte: Valor Econômico, 28/08/2007, Brasil, p. A4
O Brasil, na liderança do G-20, espera que até o começo de outubro haja uma definição na negociação agrícola na Rodada Doha, segundo indicou ontem o embaixador Clodoaldo Hugueney. O mediador da negociação, o neozelandês Crawford Falconer, convocou três semanas decisivas de discussões, a partir do próximo dia 3 de setembro, com prioridade a questões mais em aberto em acesso ao mercado , como, por exemplo, produtos sensíveis e cotas agrícolas.
A expectativa é de que até o fim de setembro ele apresente aos 150 países membros um novo documento sobre as modalidades, ou seja, com o tamanho dos cortes de tarifas e subsídios.
A negociação na área industrial, que começará mais tarde, dependerá muito do que acontecer na negociação da área agrícola. O embaixador Clodoaldo Hugueney deixa claro que se não houver sinalização dos Estados Unidos para amplos cortes de subsídios domésticos e da União Européia para acesso ao mercado, a situação ficará mais delicada ainda.
Em sua proposta inicial, apresentada em meados do mês de julho, Crawford Falconer propôs que os Estados Unidos limitem seus subsídios domésticos agrícolas que mais distorcem o comércio internacional a algo entre US$ 13 bilhões e US$ 16,4 bilhões, valores além do que o governo americano sempre diz aceitar. O corte médio de tarifas ficaria em volta de 51%.
Os negociadores começam a retornar das férias conscientes de que a decisão política dos principais envolvidos não está clara para dar o impulso final na Rodada Doha. A situação nos Estados Unidos parece particularmente difícil, com o Congresso tentando aprovar uma nova lei agrícola, em campanha eleitoral, que dá mais subsídios e não menos, como se espera nas negociações na Organização Mundial do Comércio (OMC).
Nesta terça-feira, o G-20 começa a promover reuniões em nível técnico para tentar definir soluções técnicas concretas em vários pontos onde sua posição ainda é muito geral. O grupo deve rever, por exemplo, sua posição sobre "caixa verde" (subsídios que não distorcem o comércio). Na quinta-feira, os parceiros centrais do grupo - Brasil, Argentina, China, Índia e África do Sul - preparam a reunião geral marcada para a semana que vem.
Uma decisão até outubro na Rodada Doha é considerada essencial pelo Brasil e outros importantes parceiros, porque depois a campanha presidencial nos Estados Unidos entra na fase decisiva e as coisas se complicam ainda mais para eventuais concessões.