Título: MP entra com ação contra João Paulo e Marcos Valério
Autor:
Fonte: Valor Econômico, 05/09/2007, Política, p. A8

Uma semana depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) ter encerrado o julgamento dos 40 envolvidos no escândalo do mensalão, o Ministério Público Federal no Distrito Federal entrou com ação de improbidade administrativa contra o deputado João Paulo Cunha (PT-SP), o empresário Marcos Valério e outras dez pessoas por envolvimento no mensalão - esquema que financiava parlamentares do PT e da base aliada em troca de apoio político.

Também são citados na ação: Ramon Hollerbach, Cristiano Paz e Rogério Tolentino - sócios de Valério na SMP&B; Simone Vasconcelos - diretora da SMP&B - e sua auxiliar Geiza Dias; Kátia Rabello, José Roberto Salgado e Vinícius Samarame - atuais dirigentes do Banco Rural; Ayanna Tenório - ex-vice-presidente do Banco Rural; Silvana Paz Japiassú - assessora de Cunha. Eles também são réus no processo do mensalão.

De acordo com a ação, o grupo pagou e recebeu vantagens indevidas que resultaram no enriquecimento ilícito, o que contraria os princípios da administração pública. A ação relata que o deputado teria recebido recursos indevidos da agência SMP&B com o objetivo de dar tratamento privilegiado na licitação que tramitava na Câmara dos Deputados para contratação de uma agência de publicidade.

No processo do mensalão que tramita no Supremo, Cunha responderá pelos crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e peculato. A mulher dele, Marcia Regina Cunha, teria sacado da agência do Banco Rural em Brasília R$ 50 mil. Inicialmente, ele disse que a mulher havia ido à agência pagar uma conta de TV a cabo. Depois, mudou a versão e disse que o dinheiro ajudou na campanha do PT em Osasco.

Para o Ministério Público, ficou comprovado que houve vantagem econômica porque a esposa de Cunha sacou o dinheiro, no dia 4 de setembro de 2003.

Segundo os procuradores, a ligação entre Cunha e Valério começou em 2002, durante a campanha eleitoral para a Presidência da República. Após a vitória, Valério executou gratuitamente a pré-campanha eleitoral do PT em Osasco (Grande São Paulo), reduto eleitoral do parlamentar.

Marcos Valério, que também é réu no processo que tramita no Supremo responde pelos crimes de peculato, lavagem de dinheiro, corrupção ativa, formação de quadrilha e evasão de divisas.

Na ação, os procuradores pedem a condenação dos réus à perda dos bens conseguidos ilicitamente, ressarcimento integral do dano, perda da função pública, suspensão dos direitos políticos de oito a dez anos, pagamento de multa civil, proibição de contratar com o poder público ou receber benefícios ou incentivos fiscais.

João Paulo disse, por meio de assessoria, que vai aguardar o momento de apresentar sua defesa. Ele disse que não cometeu nenhuma irregularidade. A assessoria de Marcos Valério não respondeu.