Título: PMDB e DEM perdem mais filiados
Autor: Junqueira Caio ; Basile Juliano
Fonte: Valor Econômico, 06/09/2007, Política, p. A6
O PT manteve, no início do segundo mandato do presidente Lula, a tendência de crescimento no número de filiados. Entre janeiro e agosto deste ano, o PT cresceu 2,06%. Ganhou 21 mil filiados no período. Possui exatos 1.068.785 filiados, segundo informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
No primeiro mandato do presidente Lula, o PT ganhou mais de 200 mil filiados. Foi de 828 mil, em outubro de 2002, mês em que Lula foi eleito, para 1,048 milhão, em outubro de 2006, quando houve a reeleição. Em janeiro passado, tinha 1,047 milhão.
Por outro lado, o PT ainda é o quarto no ranking geral. Está próximo do PSDB - o terceiro, com 1,119 milhão de filiados - e do PP - o segundo, com 1,246 milhão. Os tucanos, aliás, cresceram pouco mais do que o PT neste ano: 2,11%.
O PMDB mantém-se na dianteira na lista de filiados, mas registrou queda neste ano. Segundo o TSE, o PMDB registrou 2.015.301 filiados em agosto passado. Eram 2.037.431 em janeiro, o que mostra uma pequena queda de 1,09%. Mas, o PMDB é o único partido que, desde 2002, possui mais de 2 milhões de filiados. Eram 2,217 milhões em outubro daquele ano. Hoje, são 202 mil filiados a menos.
O Democratas (ex-PFL) foi ultrapassado pelo PT durante o primeiro mandato de Lula e voltou a perder filiados neste ano, em que trocou de nome. O DEM tinha 1,022 milhão em outubro de 2002, condição que manteve praticamente inalterada até janeiro deste ano, quando tinha 1,025 milhão. Mas, em agosto deste ano, o DEM registrou 985 mil filiados.
O partido com o menor número de filiados é o PCO, com 3.268, ou 0,003% dos eleitores. O PRB é o penúltimo, com 8.070 filiados. E o P-SOL da terceira colocada na disputa presidencial, a ex-senadora Heloísa Helena, registra 8.910 filiados, ou 0,007% do eleitorado. Foi a segunda legenda que mais cresceu em número de filiados, atrás apenas do PRB.
O TSE informou, ontem, que termina em um mês o prazo de filiações a partidos políticos para quem quiser se candidatar nas eleições municipais de 2008. Este prazo está previsto no calendário das eleições e vence no dia 5 de outubro, um ano antes das eleições. O dia 5 também é a data limite para quem quiser mudar o domicílio eleitoral. O primeiro turno das eleições para prefeito será em 5 de outubro de 2008. Nas cidades em que for necessário o segundo turno, ocorrerá nova votação em 26 de outubro.
De acordo com estatística do TSE, mais de 90% do eleitorado brasileiro apto a votar não tem filiação partidária. Existem, hoje, 11,4 milhões de filiados a partidos políticos no Brasil num universo de 126,4 milhões de eleitores.
O P-SOL atribuiu o crescimento a três fatores: campanha por filiações feita nas ruas, tomada de posições contra envolvidos em casos de corrupção no Congresso e campanha presidencial da ex-senadora Heloísa Helena, em 2006. "Desde a fundação, fomos para a rua divulgar o nome do partido e convidar as pessoas. Também sempre fomos, e somos, linha de frente contra qualquer denúncia que aconteça aqui. Isso atrai as pessoas. E a campanha da senadora foi decisiva para tornar o partido nacionalmente conhecido", afirmou a deputada federal Luciana Genro (RS).
No PSDB, o secretário nacional de organização partidária, Eduardo Jorge Caldas Pereira, disse que o aumento do número de filiados do partido, que passou de 1,096 milhão para 1,119 milhão, deve-se às disputas internas com vistas às eleições de 2008. "Há um esforço de filiação dos diretórios locais para as próximas eleições. Sempre há um empenho de filiações quando se aproxima o período de encerramento de filiações", disse. De acordo com Eduardo Jorge, boa parte desses novos filiados vem do município do Rio, onde quatro tucanos são pré-candidatos: o secretário municipal Eduardo Paes, o deputado estadual Luis Paulo Corrêa, o deputado federal Otávio Leite e a vereadora Andréa Gouvêa.
Entre os partidos que tiveram maior redução, há dois considerados grandes: O DEM e o PMDB.
No antigo PFL, a alteração para menor ocorreu, segundo o tesoureiro da sigla, Saulo Queiroz, pela mudança do nome para Democratas: "Quando optamos por trocar de PFL para DEM, isso implicou diversas alterações. Por exemplo, decidimos recadastrar filiados em vários Estados. Em muitos lugares a filiação foi zerada."
Já no PMDB, a razão apontada é política. "O fato de não termos disputado as eleições presidenciais afetou o número de filiados. Mas hoje (ontem), na reunião da Executiva, decidimos que, em 2008, lançaremos candidatos no maior número possível de candidatos. Isso mexerá nesse quadro", disse o líder do partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN).