Título: Teles ainda divergem sobre valor de ligação para celular
Autor: Heloisa Magalhães e Talita Moreira
Fonte: Valor Econômico, 28/01/2005, Empresas &, p. B4

Janeiro chega quase ao fim sem que as operadoras de telefonia fixa e móvel tenham alcançado um acordo sobre as tarifas de interconexão cobradas nas ligações de telefones fixos para celulares. O valor da remuneração pelo uso da rede tem de ser definido até fevereiro, quando passa a vigorar. Executivos das teles móveis e fixas reuniram-se duas vezes nas últimas duas semanas e hoje deve acontecer um novo encontro. Ontem, os presidentes de três celulares - Francisco Padinha (Vivo), Luís Cosio (Claro) e Mario Cesar Pereira de Araujo (TIM) - reuniram-se em Brasília para tentar fechar uma posição comum. Os três comandam companhias que não são integradas com teles fixas e brigam para evitar a queda da remuneração feita entre o setor. Do outro lado da mesa, estão as operadoras de telefonia fixa ou as que combinam serviços fixos e móveis. Alegam que pagam caro demais e que as celulares não têm mais necessidade desse benefício - criado para ajudá-las a crescer. Até o ano passado, as tarifas de uso da rede eram reguladas pela Anatel. Em julho, o órgão regulador implantou a livre negociação para valer a partir de 2005. Toda vez que se faz uma ligação de um telefone fixo para um celular, a empresa fixa paga R$ 0,38 por minuto à móvel. Na situação contrária, a celular paga R$ 0,05 à fixa. A interconexão representa cerca de 40% da receita das celulares. "Essa proporção não existe em lugar nenhum", diz o presidente da Telemar, Ronaldo Iabrudi. Segundo ele, no Brasil as empresas de celular ficam com 85% das tarifas (chamadas de VU-M no jargão do setor), enquanto as fixas ficam com 15%. "Em outros países, na maioria das vezes essa relação é de 70% a 30%, ou 65% e 45%", ressalta. Iabrudi reclama que o desequilíbrio é grande, embora a Telemar também tenha um braço de telefonia móvel, a Oi. O executivo afirma que as teles estão negociando um acordo para reduzir gradualmente o montante pago às celulares, chegando a uma proporção de 70% a 30% em 2007. De acordo com Iabrudi, as empresas de celular já aceitaram esse modelo. "A única que continua com discurso diferente é a TIM", diz. Mas o presidente da TIM contesta a afirmação. "A pessoa que disse isso está mal intencionada ou mal informada", afirma Araujo. Segundo ele, as empresas de celular que não têm operação de telefonia fixa estão afinadas nas negociações e rejeitam uma mudança "abrupta e radical" no modelo vigente. "As celulares estão fazendo proposta em uníssono e ninguém discordou dela", afirma fonte de outra operadora. Se não houver acordo, as celulares podem pedir arbitragem da Anatel. As móveis sugerem adiar por mais dois anos a livre negociação. Entre 2007 e 2008, começa a ser implantado o modelo de custos incrementais de longo prazo para definir o valor do acesso às redes, o que facilitaria os acordos, segundo fonte do setor. A expectativa das móveis é de que a Anatel leve em conta os empregos gerados por elas e a expansão dos celulares entre a população de baixa renda. O país terminou o ano passado com 65,6 milhões de usuários de celular. Outro argumento é que a margem operacional (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortizações) do setor está entre 15% e 21%, enquanto a das fixas chega a 45%. Iabrudi, porém, rebate dizendo que as fixas investiram o equivalente a R$ 1,6 mil por cliente, enquanto as móveis gastaram R$ 600. "Apesar disso, temos um retorno sobre investimentos que é o mais baixo se comparado a setores como siderurgia, cimento e têxtil."