Título: Meirelles enfatiza solidez e promete BC vigilante
Autor: Bueno, Sérgio
Fonte: Valor Econômico, 18/09/2007, Finanças, p. C3

No mesmo dia em que o relatório da pesquisa Focus revelou mais uma revisão para cima (a quinta consecutiva) das projeções do mercado financeiro para o IPCA de 2007, de 3,99% para 4,01%, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse ontem em Porto Alegre que a instituição "tomará todas as medidas necessárias" para que o índice permaneça dentro da meta de 4,5%. "Do ponto de vista do futuro, é importante que o BC se mantenha vigilante para que continuemos a ter uma inflação na meta", afirmou.

Promovida pela seção gaúcha do Instituto Brasileiro dos Executivos de Finanças (Ibef), a palestra de Meirelles também enfatizou as condições "muito mais sólidas" da economia brasileira para enfrentar as turbulências internacionais, mas reforçou entre os presentes a percepção de que o BC suspenderá a trajetória de corte da taxa Selic nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom).

O presidente do Banco Central não quis comentar os efeitos da eventual compra do ABN AMRO pelo Santander - em consórcio com o Royal Bank of Scotland e o Fortis - sobre a concentração do mercado financeiro no Brasil. "Não recebemos ainda nenhum tipo de consulta formal", disse. Segundo ele, só depois da concretização do negócio é que o BC irá analisar o caso e se pronunciar.

Na opinião do presidente do Ibef/RS, Ricardo Russowsky, Meirelles fez uma palestra "técnica e tranqüilizadora". A ata da última reunião, na semana retrasada, revelou que o Copom já considerou a possibilidade de manter a taxa Selic inalterada na ocasião e agora o presidente do BC deixou claro que fará o que tiver de ser feito para manter a inflação controlada e baixa, o que é fundamental para o crescimento, completou Russowsky.

Conforme Meirelles, o país cresce de maneira sustentada e deixou para trás o padrão de "arrancada e freada que prevaleceu na economia brasileira durante tanto tempo". Ele listou diversos indicadores sobre inflação, setor externo, crédito e nível de atividade econômica para mostrar que o Brasil vai bem graças à estabilidade monetária, à expansão do consumo interno e aos investimos do setor industrial. "Hoje estamos menos dependentes da demanda externa", disse.

Para o presidente do BC, o Brasil também poderá registrar geração recorde de empregos neste ano. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada semana passada pelo IBGE, de 2003 a 2006 foram criados 8,7 milhões de postos de trabalho no país, sendo 2,1 milhões só em 2006. Ele reiterou a previsão de 4,7% para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2007, mas lembrou que já há analistas projetando uma taxa de até 5%.

Meirelles deu destaque para a melhoria das contas externas do país. Segundo ele, apesar do aumento das importações, a balança comercial acumula um superávit de US$ 44,2 bilhões em 12 meses até agosto e as projeções do mercado para os investimentos estrangeiros diretos líquidos são de US$ 28 bilhões para 2007, ante US$ 18,8 bilhões em 2006.

Já as reservas internacionais saltaram de US$ 15,9 bilhões em abril de 2003 para US$ 161,97 bilhões (dado de sexta-feira). Ao mesmo tempo, a dívida externa líquida recuou de US$ 165,2 bilhões no primeiro trimestre de 2003 para US$ 29,9 bilhões no segundo trimestre deste ano, o equivalente a apenas 2,1% do PIB estimado para 2007.