Título: Mais setores impulsionam o crescimento da indústria
Autor: Galvão , Arnaldo
Fonte: Valor Econômico, 04/10/2007, Brasil, p. A3
A forte demanda interna permitiu desconcentrar o crescimento das vendas industriais em agosto. Essa mesma causa também fez com que os economistas da Confederação Nacional da Indústria (CNI) projetassem, para este ano, aumentos de aproximadamente 5% nas vendas e na produção do setor. Mesmo forte, o índice não supera 2004, quando a produção industrial subiu acima de 8%.
Os indicadores industriais apurados pela CNI apontaram, em agosto, uma benéfica combinação de aumento de vendas (o segundo consecutivo em um nível elevado) com manutenção do uso da capacidade instalada. Nesse cenário, o emprego industrial também continua em expansão há 21 meses.
As vendas reais da indústria, em agosto, foram 1,3% maiores que as de julho e 6,5% mais elevadas que as de agosto do ano passado. No período janeiro-agosto de 2007, a variação foi de 4,3% sobre 2006. Os economistas da entidade, Flávio Castelo Branco e Paulo Mol, chamaram a atenção para a desconcentração deste aumento das vendas.
Três setores responderam, em julho, por 92% do crescimento das vendas industriais. São eles: alimentos e bebidas, máquinas e equipamentos e metalurgia básica. Em agosto, contudo, esses mesmos segmentos foram responsáveis por 65% do crescimento industrial. Para os economistas da CNI, ainda é cedo para afirmar que há uma tendência, mas a maior dispersão do aumento das vendas foi provocada pela forte demanda interna, impulsionada pelos aumentos da massa salarial, do crédito e das transferências do governo. Assim, vários setores melhoraram seu desempenho no mês.
Sinal dessa desconcentração, segundo a CNI, é o fato de apenas dois setores terem apresentado queda em suas vendas reais no período janeiro-agosto. No segmento de madeira, a diminuição foi de 3,2%. No de material eletrônico e de comunicação, o recuo foi de 16,2%. Na média da indústria de transformação, a elevação das vendas foi de 4,3% nesses oito meses.
Segundo o IBGE, a demanda doméstica cresceu 5,8% no primeiro semestre, mas a produção industrial elevou-se 3%. Castelo Branco comentou que isso ocorreu porque parte da demanda foi atendida por importações e as exportações tiveram desaquecimento.
As horas trabalhadas na produção industrial, em agosto, ficaram praticamente estáveis em relação ao mês anterior. Mas a comparação com agosto de 2006 mostra crescimento de 4,3%. No período janeiro-agosto, a variação foi de 3,8%. Segundo os economistas da entidade, isso revela uma "trajetória de expansão consolidada".
Dois setores - alimentos e bebidas e máquinas e equipamentos - concentraram 70% do crescimento das horas trabalhadas neste ano. Também neste indicador, ocorreu uma desconcentração, pois até julho eles responderam por 84% da variação. As maiores quedas nas horas trabalhadas na produção foram, neste ano, em vestuário, têxteis, material eletrônico e de comunicação, madeira, móveis, outros equipamentos de transporte e papel e celulose.
O emprego industrial cresce há 21 meses e, em agosto, ficou praticamente estável com relação a julho. Na comparação com agosto de 2006, cresceu 3,9% e, nos oito meses deste ano, a elevação foi de 3,6%. Alimentos e bebidas concentraram 54% dessa variação no ano.
Segundo Castelo Branco, está ocorrendo uma maturação de investimentos com consequente aumento da capacidade instalada na indústria. A utilização da capacidade instalada, em agosto, ficou em 82,3%, ante 80,6% em agosto do ano passado, o que vem ocorrendo com aumento da produção e do emprego. "A indústria está conseguindo responder à maior demanda, o que dá confiança em um crescimento sustentado", disse.