Título: Controle de tarifas pode reduzir crédito
Autor: Galvão , Arnaldo
Fonte: Valor Econômico, 04/10/2007, Finanças, p. C6

Fábio Barbosa, presidente da Febraban: tem havido "bom diálogo" com governo Os bancos advertiram o governo para o risco de o controle de tarifas provocar interrupção da expansão do crédito e da ampliação do acesso a serviços bancários (bancarização). "Muitas vezes, tentamos preservar alguma coisa e acabamos prejudicando. Precisa haver compreensão. Por que são cobrados determinados tipos de serviço? Que risco existe numa operação de crédito? Sem entender isso, pode-se tomar uma medida que, ao invés de ajudar na expansão do crédito e na bancarização, pode prejudicá-las", alertou ontem o presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Fábio Barbosa, ao deixar a reunião que teve com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.

Mantega negou que a regulamentação das tarifas que está sendo preparada possa prejudicar o crédito e a bancarização. "Não tem nenhuma razão para afetar o crédito. Não estamos tabelando tarifa. Vamos dizer ao consumidor aquilo que ele está pagando e o que poderia pagar em outro banco", justificou.

Nesse segundo encontro sobre tarifas bancárias, representantes da Febraban e do governo discutiram as práticas internacionais, a cobrança da Taxa de Abertura de Crédito (TAC) e da Tarifa de Liquidação Antecipada (TLA), a padronização da nomenclatura e formas de ampliar a transparência e a concorrência entre as instituições financeiras.

Segundo o que afirmou o ministro da Fazenda, "padronização, simplificação e redução são três parâmetros importantes". Ele disse que não sentiu resistência da Febraban em relação a esses três objetivos.

Há, segundo Mantega, resistência maior quanto ao fim da TLA. Mas admitiu que os bancos, nesses casos, têm de adequar a remuneração que pagaram pela captação dos recursos emprestados. "São questões complicadas, cujo resultado não poderá ser o encarecimento do crédito. Queremos reduzir esse custo e evitar a mistura de tarifa com taxa de juros", ponderou.

Fábio Barbosa comentou ontem que o governo vem "apertando bastante" para entender todo o sistema de tarifas, mas tem havido um bom diálogo. "Há necessidade de compreender o que é a TLA e suas implicações econômicas. Precisamos ter crédito de longo prazo e existem desequilíbrios que podem acontecer nesses pré-pagamentos", ponderou.

O presidente da Febraban também negou que os bancos estejam cometendo abusos na cobrança de tarifas. Explicou que elas correspondem a determinados serviços "colocados com muita transparência e permitindo a comparação". Ele ainda ressaltou que a expansão da rede de máquinas automáticas de atendimento e os investimentos do setor permitiram que cem milhões de pessoas tenham acesso a serviços bancários.

Na avaliação de Barbosa, o governo está "fazendo o seu papel" ao procurar construir uma solução que atenda a todas as partes, preservando o valor que o sistema financeiro agrega à economia. O mais importante, segundo a Febraban, é dar transparência e comparabilidade, mas também preservando os serviços prestados pelos bancos.