Título: Copagaz planeja ampliar a venda de GLP para indústria
Autor:
Fonte: Valor Econômico, 05/10/2007, Empresas, p. B7

Ueze Zahran, presidente da Copagaz, quer receita de R$ 110 milhões e venda de 50 mil toneladas de gás de cozinha por mês Os caminhos do gás natural no Brasil andam despertando a curiosidade do empresário Ueze Zahran. Presidente da Copagaz, distribuidora de gás liqüefeito de petróleo (GLP), o popular gás de cozinha, Zahran acredita que o produto tem uma boa chance de ampliar seu espaço junto às indústrias do país, tradicionais clientes do gás natural. E a explicação é simples. Com o reajuste de 9% que a Petrobras promoverá no milhão de BTU do gás natural vendido no país, fruto da disparada do preço do barril de petróleo no mundo e do contrato firmado com a Bolívia, e somado à insegurança presente neste setor com o endurecimento do presidente boliviano Evo Morales, o empresário acredita que alguns grandes consumidores poderão ficar interessados em utilizar o GLP ao invés do gás natural.

É com essa motivação que a Copagaz inclusive desenha seu plano de investimentos. Com vendas mensais hoje de 42 mil toneladas, Zahran projeta até o fim do ano chegar perto da marca de 50 mil toneladas por mês. E para elevar seu nível de venda em 19%, o empresário quer ampliar o número de clientes industriais.

Hoje, das 42 mil toneladas mensais comercializadas, 32 mil são vendidas nos tradicionais botijões de 13 quilos e 10 mil seguem direto para as indústrias. Nos próximos meses, a intenção é outra. É negociar 36 mil toneladas em botijões e 14 mil junto aos grandes consumidores.

Segundo o presidente da Copagaz, quando a companhia estiver negociando 50 mil toneladas de GLP, o seu faturamento mensal terá alcançado R$ 110 milhões. Um bom crescimento, porque hoje com as 42 mil toneladas, a receita beira os R$ 86 milhões por mês.

"No caso dos botijões, não precisaremos fazer investimento algum para alcançarmos essa meta, porque temos um bom parque de botijões. Agora, para aumentarmos nossa venda industrial, será preciso investir algo como R$ 16 milhões", conta Zahran ao Valor.

Recentemente, inclusive, a Copagaz aplicou R$ 6 milhões na compra de seis caminhões-tanque que garantem o transporte das 4 mil toneladas atuais do produto até as fábricas. Com essa aquisição, a frota da corporação subiu para 73 caminhões.

Mas o empresário sabe que não basta apenas garantir o transporte para ampliar as vendas. No caso da Copagaz, Zahran está disposto a lançar mão de sua presença nacional.

Hoje, a distribuidora tem 14 engarrafadoras de gás de cozinha e acabou de inaugurar mais duas filiais, uma no Estado do Ceará e outra na Bahia. E a disposição é tamanha em conquistar mercado, que pela primeira vez a Copagaz aceitou crescer de um jeito que não faz muito o seu estilo. Para colocar um pé no Ceará e outro na Bahia, a Copagaz usará as engarrafadoras do grupo Ultra, dono da marca Ultragaz, nessas regiões do país. É uma prática comum no setor e também pode acontecer no sentido inverso.

"Vamos usar 2 mil toneladas para Fortaleza e Salvador por meio desse acordo com o Ultra. Mas nós também envasamos para a Ultragaz, por exemplo, no Estado de Pernambuco", conta Ueze Zahran.

O fato é que com essas duas unidades, que custaram cada uma R$ 5 milhões, a companhia aumenta seu raio de ação, o que facilita a execução do seu plano de investimentos. Hoje, a empresa tem cinco unidades no Estado de São Paulo, uma em Pernambuco, uma no Rio Grande do Sul, uma no Paraná, duas em Minas Gerais, uma no Rio de Janeiro, outra em Goiás, mais uma no Mato Grosso e outra em Mato Grosso do Sul. (MC)