Título: Governo do Rio quer criar 'Fronteira Leste de Biocombustíveis
Autor: Scaramuzzo, Mônica
Fonte: Valor Econômico, 24/09/2007, Agronegócios, p. B13
O secretário de Agricultura do Rio de Janeiro, Christino Áureo, está coordenando um projeto para a criação da Fronteira Leste de Biocombustíveis no país. "Os Estados do Rio, Espírito Santo e Bahia são privilegiados na área de logística, por conta dos portos, e estão se articulando para expandir a cultura da cana", diz.
Em entrevista ao Valor, o secretário lembrou que a região centro-sul - liderada por São Paulo - tem tradição na produção de cana, e que o Centro-Oeste também vem se firmando. "Na fronteira leste [Rio, Bahia e Espírito Santo], a produção de álcool não precisaria ser escoada por alcoodutos", realça.
As secretarias de Agricultura dos três Estados devem se reunir no início de outubro para discutir uma estratégia conjunta. As secretarias dos dois outros Estados confirmaram que têm interesse no programa de agroenergia.
Independentemente do projeto da Fronteira Leste, o Rio de Janeiro está criando metas para a produção de biocombustíveis no Estado. Com base em estudo desenvolvido pela Secretaria de Agricultura, pelo Sebrae-RJ e pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (Uenf), o Rio traçou planos para o setor de agroenergia até 2012. É o chamado Plano Diretor de Agroenergia - ou "Rio Agroenergia".
O programa reúne iniciativas nas áreas de infra-estrutura, melhoria de tecnologia, como desenvolvimento de variedades mais produtivas de cana, financiamento e incentivos fiscais para impulsionar o setor sucroalcooleiro do Estado. Segundo Áureo, a estimativa é que o plano atraia investimentos públicos e privados de até R$ 350 milhões.
O Estado do Rio chegou a ter 24 usinas em operação, boa parte concentrada na região norte do Estado, principalmente em Campos dos Goytacazes. Com a crise do Proálcool, o número atual de usinas totaliza oito. Há dois anos, pelo menos, o Estado tenta revitalizar a cultura canavieira. Nesta safra, a 2007/08, a produção de cana é de cerca de 5 milhões de toneladas. A área plantada é de 100 mil hectares, mas deverá dobrar nos próximos cinco anos, com oferta de 15 milhões de toneladas.
Segundo Áureo, o Estado quer investir em produtos com valor agregado. Isso inclui a produção de combustível de segunda geração. A Petrobras anunciou sua intenção de instalar uma planta para a produção de álcool celulósico, que está sendo desenvolvido pela empresa. Áureo vai concentrar esforços para que esta planta seja instalada no Estado.
"Não temos condições de competir com importantes produtores, como São Paulo. Temos de aproveitar nossa vantagem logística. O Rio produz 17% do consumo do etanol e 21% do de açúcar", diz. Segundo ele, a intenção é fazer as apostas na infra-estrutura logística, priorizando a recuperação da malha de canais de drenagem do norte fluminense, para aumentar a área de cultivo da cana. A região tem 1.300 quilômetros de canais, que passam por Campos dos Goytacazes, Quissamã, São Francisco de Itabapoana e São João da Barra. Para a recuperação dessas áreas, Áureo prevê investimentos da ordem de R$ 100 milhões.
Na Bahia, um trabalho parecido também está sendo realizado. Geraldo Simões, secretário de Agricultura do Estado, diz que a produção de cana no Estado pode avançar para atender a demanda por açúcar e álcool do próprio mercado local. "Temos condições logística favoráveis para escoar a produção por meio do porto de Ilhéus e Vitória (ES)".
De acordo com Simões, a produção de cana na Bahia pode ficar concentrada no extremo sul do Estado. "Queremos estimular a atividade também para o biodiesel e utilizar a cana para a co-geração de energia", afirmou.