Título: Setor de celulares eleva projeção para 2007 em 30%
Autor: Magalhães , Heloisa
Fonte: Valor Econômico, 07/11/2007, Brasil, p. A4
Loredana Mariotto, diretora de marketing da Motorola: expectativa de um fim de ano ainda mais aquecido O crescimento de 13% na produção de telefones celulares na comparação do terceiro trimestre do ano com o mesmo período de 2006 trouxe uma injeção de ânimo para a indústria do setor, criando a expectativa de um fim de ano ainda mais aquecido, com vendas no Natal 25% superiores a 2006.
No início de 2007, a indústria trabalhava com expectativa de produção entre 34 milhões a 35 milhões de terminais no ano. A partir do sucesso no Dia das Mães, o setor revisou os números. Agora, a previsão oscila entre 44 milhões a 45 milhões, diz a diretora de marketing e varejo da Motorola, Loredana Mariotto. A alta chega a 30%.
Para o analista da consultoria Teleco Eduardo Tude, houve uma virada no mercado. "Tivemos um início de ano muito ruim. Achávamos que haveria 12 milhões de adições líquidas de clientes de celulares em todo ano. Hoje as projeções estão mais próximas de 20 milhões", diz. A causa da mudança foi, em grande parte, o aquecimento da economia. Mas a entrada da Vivo no mercado de terminais GSM puxou as vendas. A empresa permitiu que o cliente que utilizava tecnologia CDMA conservasse o mesmo número ao mudar para GSM. A Vivo já conquistou 6,7 milhões de clientes GSM.
Tude lembra que, com o movimento da Vivo, as demais operadoras, como TIM e Claro, partiram para planos mais agressivos. E a Oi passou a oferecer plano em que o cliente de serviço pré-pago faz recarga no cartão e ganha bônus. Compra R$ 10 e ganha R$ 100. Compra R$ 20 e pode falar os minutos relativos a R$ 250.
Para Loredana outro ponto importante é que o grande varejo está agressivo, com planos de longos financiamentos, em até dez vezes. Além disso, diz que aumentou muito a oferta de modelos de terminais. Segundo ela, os modelos com condições de ouvir música são as vedetes. Os com câmera fotográfica já se tornaram um hábito entre os consumidores que podem gastar mais. Custam a partir de R$ 200. A Motorola está lançando mais de dois modelos de celular por mês, 30 por ano.
A Teleco estima a produção de 68 milhões de celulares no país este ano. Tude disse que a consultoria já projetava o crescimento apontado pelo IBGE. Lembra que no primeiro trimestre houve queda nas vendas de 8,9% com relação ao mesmo período de 2006 . "Quando entrou o segundo trimestre na conta, isto é juntando o primeiro semestre, o crescimento foi de 6,2% .Na comparação julho de 2006 com julho de 2007 o salto foi de 15,9% e em agosto, 20,6% na comparação com o ano passado", explica o consultor .
Segundo dados da Anatel, o país fechou setembro com 112 milhões de acessos de celular registrados. Em setembro houve 1,8 milhões de adições "e em um mês sem festa comemorativa", lembra Tude . Ele diz que até setembro as adições cresceram 12,8 milhões, que era a estimativa no início do ano para 2007 inteiro.
Para o presidente da Abinee, Humberto Barbato, o crescimento do mercado interno registrado pelo IBGE, da ordem de 13%, está praticamente de acordo com os 11% previstos nos cálculos da entidade. Disse que a Abinee ainda não tem informações suficientes para estimar o salto de crescimento apontado pela executiva da Motorola. De qualquer forma, acha bastante importante a expectativa do aumento de vendas dentro do país porque está havendo uma queda considerável nas exportações. "O fato é que o Brasil não está mais competitivo a nível internacional."