Título: Obras do Arco Rodoviário do RJ vão beneficiar dez cidades
Autor: Grabois , Ana Paula
Fonte: Valor Econômico, 13/11/2007, Brasil, p. A9

Sergio Cabral, governador do Rio: uma nova alternativa de investimento O projeto do Arco Rodoviário do Rio, que liga os municípios da Baixada Fluminense ao porto de Itaguaí, vai abranger gastos na infra-estrutura básica em dez municípios da periferia pobre do Rio sob influência da obra. Com limitações de caixa para investir, o governo estadual do Rio pediu empréstimo de US$ 540 milhões ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para realizar as obras de infra-estrutura, centradas em saneamento, saúde e transportes.

O arco vai facilitar o transporte no Estado e interligar rodovias federais ao porto de Itaguaí , beneficiando especialmente a logística de empreendimentos na região, como o complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), da Petrobras, e a Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), da alemã Thyssen Krupp em associação com a Companhia Vale do Rio Doce. Cerca de US$ 16 bilhões são estimados pelo governo em novos investimentos de empresas.

O governo do Estado pretende que o arco e os novos projetos produtivos garantam o desenvolvimento econômico na região e quer evitar o aumento da desordem urbana com a melhoria da infra-estrutura. "Queremos criar uma espécie de barreira à expansão urbana desordenada, preservando áreas verdes", diz o subsecretário de obras do Estado do Rio de Janeiro, Vicente Loureiro.

Segundo o subsecretário, um plano diretor bancado por meio de uma doação de US$ 1 milhão do BID vai identificar a cadeia produtiva de cada planta industrial para que o Estado possa executar uma política de atração de investimentos de outras empresas no entorno do arco.

O plano diretor inclui preocupações com meio ambiente, desenvolvimento urbano, gestão da metrópole e desenvolvimento econômico. "Vamos ancorar o desenvolvimento na região. Não queremos que a empresa apenas esteja de passagem, sem criar benefícios aos municípios", afirmou o subsecretário.

Loureiro adianta que as primeiras sugestões são a realização de cursos de qualificação profissional para os moradores dos municípios e o fomento à prestação de serviços às novas indústrias. "Com a adoção das sugestões que sairão do plano, iremos evitar a favelização e a degradação ambiental e potencializar a economia dos municípios."

Ontem, o governo federal assinou o contrato de repasse de R$ 700 milhões, no âmbito do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), para o trecho C do arco, o maior e mais importante do projeto, com previsão para ficar pronto em dezembro de 2009. O Estado do Rio vai gastar R$ 228 milhões neste trecho, de 72 quilômetros de extensão.

Outros três trechos, que somam 70 quilômetros, serão licitados pelo Departamento Nacional de Infra-estrutura de Transporte (DNIT) e as obras compreendem apenas a duplicação e a modernização de rodovias existentes. O trecho C será construído do zero e cerca de mil residências urbanas e rurais serão removidas.

"É uma obra que não atende apenas ao escoamento da produção. É uma obra que gera nova alternativa de investimento, de empregabilidade e de habitação", disse o governador do Rio, Sérgio Cabral, durante a assinatura do contrato. A licitação para as obras do arco está prevista para dezembro e as obras devem começar em fevereiro de 2008. (Com Agência O Globo)