Título: Após 70 anos, montadora briga pelo topo
Autor: Olmos, Marli
Fonte: Valor Econômico, 26/10/2007, Empresas, p. B6

Quem manda atualmente na produção de veículos do Japão são os japoneses. Mas nem sempre foi assim. Na década de 20, depois que a capital do país foi devastada por um forte terremoto, as montadoras americanas é que comandavam o transporte em veículos no Japão.

Depois de ter passado por um rápido processo de modernização, em 1923 Tóquio foi destruída pelo Kanto, considerado um dos grandes terremotos da história do país oriental.

As ferrovias, que serviam basicamente para todo o transporte, foram destruídas pelo Kanto. Os automóveis passaram, então, a ser usados para a reabilitação da locomoção. Caminhões importados carregavam bens e materiais no lugar dos trens.

Um veículo da Ford, trazido dos Estados Unidos, chegou a ser modificado para ser usado como ônibus. As marcas americanas tomaram conta do mercado.

A Toyota nasceu em uma fábrica de tecelagem, fundada por Sakichi Toyoda, que hoje abriga um museu de carros e de peças e máquinas de tecidos, em Nagoya. O neto, Kiichiro, que herdou o espírito empreendedor do avô, teve a idéia, então, na década de 30, com a invasão das marcas concorrentes, de partir para a produção local de veículos. A história está documentada no museu, uma espécie de atração da comunidade de Nagoya.

Segundo os documentos guardados no museu, na época poucos acreditavam que os japoneses conseguiriam fabricar veículos como os americanos. Kiichiro lembrou que o pai havia enfrentado o mesmo tipo de resistência com as máquinas de tecelagem. E foi adiante com a idéia.

Em três anos a Toyota criou o projeto de um carro completo, concluído em 1935. Em 1937 a empresa foi preparada para a produção em massa. Setenta anos depois, apenas 10 mil unidades separam a Toyota da americana que ocupa o primeiro lugar mundial nas vendas de veículos. A japonesa fechou setembro com volume de 7,05 milhões de veículos acumulado desde o início de 2007 e a GM com 7,06 milhões. (MO)