Título: Estudo aponta condições para manter crescimento
Autor: Ribeiro, Alex
Fonte: Valor Econômico, 15/10/2007, Finanças, p. C20
Estudo feito pelo Banco Central mostra que, ao contrário do que prevêem alguns analistas econômicos mais pessimistas, não há razões para acreditar que o atual ciclo de expansão do crédito bancário vá se esgotar de maneira autônoma. Os cálculos da autoridade monetária são de que em agosto os bancos tinham um fôlego de R$ 212 bilhões para novas operações de crédito.
O BC chega a esse número em dois passos. Primeiro, soma todas as captações dos bancos junto ao público, incluindo emissões de títulos e moedas pelo sistema financeiro. Depois, subtrai quanto desse dinheiro é absorvido pelo setor público, seja pela emissão de títulos ou por recolhimentos compulsórios. O que sobra, em tese, pode ser emprestado.
A forte expansão do crédito, que nos 12 meses encerrados em agosto chegou a 24,8%, tem levado alguns observadores econômicos a preverem a exaustão nesse mercado, seja por constrangimento de oferta de crédito ou de demanda. Uma das teorias é que a expansão de crédito levará a uma elevação nos índice de inadimplência.
O BC, no relatório de inflação de setembro, divulgou estudo que procura investigar os determinantes de períodos anteriores de expansão de crédito. A conclusão é que, no geral, os ciclos de expansão foram desacelerados sobretudo em função de crises internacionais ou de medidas de política monetária do próprio BC para conter a inflação.
O primeiro ciclo de expansão de crédito citado pelo BC é o do Plano Real, de 1994 a 1995. Nesse período, o volume de crédito como proporção do Produto Interno Bruto (PIB) avançou de 29% para 32,1%.
No estudo, o BC assinala que "a expansão econômica veio a resultar em pressões de demanda, evidenciadas, por exemplo, na elevação do grau de utilização da capacidade da indústria". Para evitar pressões inflacionárias, o BC adotou na época medidas de política monetária "visando restringir a expansão do crédito pelo sistema bancário". É o caso, afirma o estudo, da elevação das alíquotas de compulsório, obrigatoriedade de depósitos sobre empréstimos e limitação no número de prestações no crédito ao consumidor. "As taxas de crescimento de crédito foram, como conseqüência, relativamente modestas entre 1996 e 1998."
O segundo período de expansão acelerada do crédito analisado pelo BC vai de 2000 a 2002. O custo dos empréstimos caiu em função da reconquista da credibilidade da política econômica, após o início de um ajuste fiscal e a adoção dos regimes de cambio flutuante e de metas de inflação, que possibilitaram cortes nas taxas básicas de juros, redução de compulsórios e diminuição na alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).
Os empréstimos avançaram 13,3% em 2000, e o crédito como proporção do PIB cresceu de 24,9% para 26,4% naquele ano. Mais uma vez, afirma o relatório, o ciclo de expansão do crédito se arrefeceu em decorrência do aperto monetário. Em 2001, o BC elevou os juros, em virtude da crise do apagão elétrico e das turbulências internacional, desencadeadas por incertezas na Argentina e nos Estados Unidos.
A atual fase de crescimento do crédito começou em fins de 2003, depois de medidas fiscais e de política monetária que conquistaram a confiança dos mercados financeiros no governo Lula. De dezembro de 2003 a agosto de 2007, o volume de crédito subiu de 24% para 33,1% do PIB. A expansão sobreviveu, inclusive, a um período de contenção monetária, entre 2004 e 2005.
Apesar da forte expansão, afirma o BC, "as taxas de inadimplência permanecem contidas e estáveis, sem oferecer obstáculos à continuidade do cenário favorável de expansão de crédito".