Título: Seca afeta produção de cana da safra 2008/09
Autor: Scaramuzzo, Mônica
Fonte: Valor Econômico, 18/10/2007, Agronegócios, p. B14
O longo período de estiagem no centro-sul do país, que arrefeceu apenas no fim de setembro, depois de durar cerca de 60 dias, deverá provocar perdas para a próxima safra da cana, a 2008/09.
A quebra na região está estimada em 5% e deve resultar em 10 milhões a 12 milhões de toneladas de cana a menos no total a ser colhido no próximo ciclo. "A seca acelera a colheita, mas afeta o desenvolvimento da soqueira da cana", afirmou Antonio de Padua Rodrigues, diretor-técnico da Unica (União da Indústria da Cana-de-Açúcar).
Apesar da estimativa de quebra, o volume de produção para 2008/09 deverá superar o da safra atual, uma vez que cerca de 30 novos projetos de usinas deverão entrar em operação no ano que vem, de acordo com Padua.
Neste ciclo, a colheita está estimada em 415 milhões de toneladas, 11% mais que na safra anterior. Até o dia 1º de outubro, a colheita no centro-sul do país atingiu 77,1% do total previsto, com moagem de 319,9 milhões de toneladas, 9,4% acima do mesmo período da temporada passada.
A produção de álcool atingiu 14,411 bilhões de litros até o início do mês, aumento de 16,1% em relação ao mesmo período da safra passada. O volume de açúcar soma 19,869 milhões de toneladas, 4,8% a menos na mesma comparação, o que comprova que a safra está mais "alcooleira" - o etanol deverá representar 54,31% mix.
Levantamento da Unica mostra que 17 novas usinas, de um total previsto de 19, entraram em operação nesta safra. Duas delas, uma em São Paulo e outra no Centro-Oeste, não conseguiram a tempo a licença ambiental para dar início às operações.
O final da colheita de cana está previsto para novembro. Das 258 usinas do centro-sul, três já pararam a moagem. "São unidades pequenas", afirmou Padua.
De abril a setembro, as vendas de álcool ficaram em 7,579 bilhões de litros, aumento de 29,9% em relação ao mesmo período anterior. Apesar das vendas de setembro serem inferiores a e agosto em 5,5%, o volume negociado no mês passado supera em 26,9% o mesmo mês da safra anterior. As exportações de açúcar e álcool também continuam aquecidas.
A queda dos preços do álcool e do açúcar continua preocupando as usinas. Mas o segmento está longe de viver uma crise. "A expansão, com novas usinas, não mostra isso [a crise]", disse Padua. A Unica espera recuperação dos preços dos produtos na entressafra. Neste momento, boa parte das usinas está se desfazendo de seus estoques para gerar caixa.