Título: Caixa corta taxa para conquistar mercado
Autor: Ribeiro, Alex
Fonte: Valor Econômico, 18/10/2007, Finanças, p. C2
A Caixa Econômica Federal anunciou ontem reduções nas suas principais linhas de crédito a pessoas físicas e jurídicas, numa tentativa de reagir à perda de participação de mercado que vem ocorrendo desde 2006.
O corte nos juros não tem relação com eventuais quedas nos custos de captação da instituição. Tanto que o anúncio foi feito antes mesmo de o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central divulgar a decisão de sua reunião, que manteve a taxa básica em 11,25% ao ano.
Entre as linhas para pessoas físicas, foram reduzidos os juros do micropenhor, dos empréstimos de adiantamento de 13º salário, do cheque especial e dos créditos pessoal, consignado e de financiamento de consumo de bens duráveis. Para as pessoas jurídicas, caíram as taxas de linhas de capital de giro. Em algumas linhas, os novos percentuais valem a partir de hoje, mas, em alguns casos, irão vigorar apenas em novembro.
A Caixa vem apresentando um desempenho abaixo da média de mercado na área de crédito comercial. O balanço de junho passado mostra que o volume de empréstimos a pessoas físicas cresceu apenas 9,22%, comparado com o mesmo período de 2006. No mesmo período, o crédito a pessoas físicas do sistema financeiro cresceu 27,4%.
"Nosso objetivo é ampliar a nossa base de clientes, que vem sendo intensamente disputada depois que se acirrou a competição entre os bancos", afirmou o vice-presidente de Finanças da Caixa, Márcio Percival Alves Pinto. Segundo ele, o principal alvo da redução dos juros foi o público de baixa renda.
Ele disse que o banco espera elevar em 20% a contratação na linha de micropenhor, com a redução dos juros decidida ontem, que caem de 2% para 1,8% ao mês. "Queremos manter nossa base de clientes principalmente nesse público alvo", afirmou.
A última redução nos juros anunciada pela Caixa havia sido em julho. Desde então, os juros futuros aumentaram, em decorrência da crise internacional desencadeada por incertezas no mercado americano de hipotecas. Em julho, os juros futuros de um ano apontavam uma taxa de 11,8% e, agora, em cerca de 11,15% ao ano.
Além do corte de juros, o esforço da Caixa para recuperar participação de mercado também inclui mudanças administrativas para tornar mais ágeis decisões como o lançamentos de novos produto.