Título: Odebrecht investe mais US$ 1 bi em usinas
Autor: Scaramuzzo, Mônica
Fonte: Valor Econômico, 24/10/2007, Agronegócios, p. B16
A ETH Bionergia, braço de agroenergia do grupo Odebrecht, vai investir US$ 1,05 bilhão na construção de três usinas de açúcar e álcool, desta vez, no Estado do Mato Grosso do Sul. O Valor apurou que duas unidades serão construídas na cidade de Nova Alvorada do Sul e a terceira em Nova Andradina. No mês passado, o grupo anunciou um investimento do mesmo porte para a construção de três plantas sucroalcooleiras em Goiás.
Com mais esse novo investimento, o grupo já soma oito unidades de açúcar e álcool, entre projetos "greenfield" (construção) e usinas em operação, desde que fez sua estréia no setor sucroalcooleiro este ano.
As três usinas que serão construídas no Mato Grosso do Sul deverão processar 5 milhões de toneladas cada uma. Cada planta deverá receber aporte de cerca de US$ 350 milhões. Essas três usinas vão produzir açúcar e álcool e vão co-gerar energia a partir do bagaço de cana, assim como o projeto anunciado em Goiás.
Uma das unidades de Nova Alvorada do Sul deverá entrar em operação na safra 2009/10 e a outra em 2010/11. Já a planta de Nova Andradina entrará em operação na safra 2011/12.
Além dos investimentos no Brasil, o grupo Odebrecht também vai construir uma usina de açúcar e álcool em Angola em parceria com a estatal de petróleo Sonangol e empresários do país africano. Esse investimento será feito pela construtora Norberto Odebrecht, não pelo braço de agroenergia ETH.
O diretor estratégico da ETH Bioernergia e o presidente da ETH Bioenergia, Eduardo Pereira de Carvalho, e Clayton Hygino Miranda, respectivamente, confirmaram as informações, mas não deram mais detalhes sobre os novos projetos.
Com esses projetos consolidados, o grupo processará nas usinas localizadas em Mato Grosso do Sul e Goiás 30 milhões de toneladas de cana. Em maio deste ano, a companhia adquiriu a usina Alcídia, em Teodoro Sampaio (SP), e quase dois meses depois anunciou a construção de sua segunda unidade, na região de Pontal do Paranapanema, em parceria com o empresário Alexandre Cândido de Paula, sócio da Reebok Fitness e um dos controladores da ACP Agropecuária.
Esses dois projetos paulistas têm capacidade de processamento de 8 milhões de toneladas. Isso significa um processamento total de 38 milhões de toneladas de cana, quando todos as usinas estiverem operando em plena capacidade. Também fará da ETH Bionergia um dos três maiores processadores de cana-de-açúcar do país.
Até 2015, o grupo pretende controlar pelo menos 10 unidades produtoras de açúcar e álcool. Nos planos da empresa estão novos investimentos na região do Pontal do Paranapanema em São Paulo, onde o grupo já tem duas unidades. Essa região é considerada uma das áreas com forte expansão em São Paulo.
Quando anunciou sua entrada no setor sucroalcooleiro, o grupo Odebrecht afirmou que investiria pelo menos US$ 5 bilhões em usinas. Estima-se que quase 60% deste valor já foi aplicado em projetos. Desde o ano passado, a Odebrecht estudava entrar em um terceiro segmento de negócios. Em 2006, a Odebrecht faturou R$ 24 bilhões, dos quais R$ 16,5 bilhões vieram da petroquímica Braskem (70% da receita) e R$ 7,4 bilhões da CNO (30%).
A entrada do grupo no setor se deu por meio da associação com os executivos Clayton Hygino Miranda, ex-Coimex Trading, e Eduardo Pereira de Carvalho, ex-presidente da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), quando os dois criaram a empresa CZRE, que foi incorporada pela Odebrecht.