Título: Paulista GlobalAgri aposta em biodiesel para exportação
Autor: Bouças, Cibelle
Fonte: Valor Econômico, 23/10/2007, Agronegócios, p. B14

O desenvolvimento de um projeto sustentável para a produção de biodiesel rendeu à GlobalAgri, empresa constituída por um grupo de agricultores e pecuaristas de São Paulo, um contrato milionário de exportação à França, a partir de 2009. A empresa acaba de fechar com uma trading francesa (cujo nome é mantido em sigilo) um contrato de cinco anos para a exportação de 95 mil toneladas de biodiesel por ano àquele país, o que renderá receita anual entre US$ 100 milhões e US$ 110 milhões, afirma André Vienna, diretor da GlobalAgri. "Por se tratar de um projeto totalmente sustentável, conseguimos um preço melhor pelo biocombustível."

A GlobalAgri é formada por um grupo de fruticultores e pecuaristas, com fazendas em São Paulo e no Tocantins. Há dois anos, os sócios decidiram entrar no mercado de biodiesel para ampliar a sua receita, hoje da ordem de US$ 100 milhões por ano. O projeto foi idealizado em parceria com a Metacortex, o escritório de advocacia Menezes e Lopes e a Tecbio - que forneceu a tecnologia da usina. Segundo Vienna, a usina será localizada em Paraíso do Tocantins (TO) e terá capacidade para produzir 100 mil toneladas de biodiesel por ano. Do total, 95 mil toneladas serão enviadas à França via porto de Itaqui e o restante será vendido a uma distribuidora nacional.

A construção da usina terá início em 2008 e as operações começarão em 2009. O investimento previsto é de US$ 100 milhões, com financiamento do BNDES. A produção de matérias-primas, por sua vez, será feita com financiamento do Pronaf via Banco da Amazônia (BASA) e Banco do Brasil.

Rui Pedro Ribeiro, administrador-executivo da Metacortex e responsável pela área agrícola do projeto, revela que as matérias-primas serão fornecidas por 900 famílias de agricultores da região, que se reuniram em uma cooperativa para atender à empresa com exclusividade. A área plantada em 2008 será de 10 mil hectares, passando a 70 mil em três anos. As matérias-primas adotadas serão girassol, pinhão-manso e babaçu. "Hoje o maior risco do negócio está na garantia da matéria-prima, que responde por 80% do custo de produção. Por isso é tão importante ter uma garantia de oferta de matéria-prima e a decisão da empresa de ter garantia de oferta própria", diz.

O conceito de sustentabilidade está em todas as fases do projeto. Ribeiro cita, por exemplo, que os produtores utilizarão um gel no solo que conserva a água por três meses. A torta obtida do esmagamento das oleaginosas será queimada para a produção de carvão e vapor, para a co-geração de energia. "A usina vai produzir energia limpa para uso próprio e para o município", afirma Ribeiro. O transporte do biodiesel será feito pela Ferrovia Norte-Sul ou por hidrovias até a malha de dutos de Senador Canedo (GO), para poupar emissões de carbono. "Ganhamos valor agregado", diz Vienna.