Título: Reverência geral a Alencar
Autor: Campbell, Ullisses
Fonte: Correio Braziliense, 26/01/2011, Política, p. 3
Dilma, Lula, Alckmin e Kassab se comovem com o esforço do ex-vice para falar em público e receber homenagens em São Paulo São Paulo ¿ A primeira aparição pública da presidente Dilma Rousseff em São Paulo foi marcada pela emoção. Ao entregar a medalha 25 de Janeiro ao ex-vice-presidente José Alencar, na sede da prefeitura, ela chorou. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também se emocionou, mas saiu sem falar com a imprensa e pegou carona no helicóptero que conduzia a presidente.
Em discurso, o primeiro depois do realizado na posse, Dilma, que também travou uma luta contra o câncer, disse que Alencar é um exemplo de dignidade. A presidente ressaltou que ele, como Lula, nasceu em família pobre. ¿A gente deve reconhecer a importância desse homem que saiu de baixo e construiu um império sem perder o compromisso com a soberania do país e com o resgate de milhões da miséria¿, afirmou. A medalha entregue ontem é uma distinção a personalidades que têm atuação destacada no estado e no país, e foi entregue como uma das celebrações aos 457 anos de São Paulo.
Abatido, vestido com terno e gravata, Alencar chegou em cadeira de rodas e pediu desculpas aos convidados por falar sentado. ¿Sempre defendi que discurso se faz de pé. O período longo que fiquei inativo me trouxe essa dificuldade de locomoção. Estou fazendo fisioterapia, melhorando¿, justificou.
Depois de uma pausa, retomou o relato. ¿Eu tinha um texto preparado, mas resolvi falar de improviso, com o coração. Ainda que essas dificuldades sejam fortes, estamos vencendo. Quem fica num hospital tanto tempo faz reflexões. Se eu morrer agora, será um privilégio, porque é tanta gente torcendo por mim. Se morrer agora, tá bom demais¿, disse, emocionado.
O ex-vice, com 79 anos, arrancou gargalhadas ao lembrar de um conselho que Lula costumava dar às mulheres na hora de escolher um vestido e que Alencar, hoje, segue à risca ao falar em público. ¿Ele me disse que não se deve fazer discursos nem tão curtos que possam escandalizar, nem tão longos que entristeçam.¿
Além de Lula e Dilma, participaram da homenagem o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM); o vice-presidente, Michel Temer; o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e o cardeal arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer. Do tucano, Alencar recebeu o convite para tomar uma cachaça tão logo se restabeleça. ¿Se Deus quiser, logo logo, vamos poder tomar um gole daquela `boa¿¿, disse Alckmin, referindo-se às cachaças produzidas em Minas Gerais, terra de Alencar.
Maratona A luta de Alencar contra o câncer começou em 1997, quando foi encontrado um tumor no rim direito e outro no estômago em exames de rotina. Os nódulos foram retirados imediatamente. Em 2000, uma nova cirurgia retirou um tumor na próstata. Depois da remoção de outros nódulos no abdome, Alencar foi diagnosticado com câncer no intestino. Ao todo, ele fez 17 cirurgias nos últimos 13 anos. A última em 22 de dezembro, quando foi internado no Sírio-Libanês com quadro de hemorragia digestiva. Ontem, ele recebeu autorização da equipe médica para passar a noite em casa.
Shows, passeios, chuva e granizo No aniversário de 457 anos de São Paulo, a prefeitura da cidade tentou tirar o foco de enchentes, alagamentos e transtornos para marcar a data com shows e passeios ciclísticos. A chuva, contudo, fez questão de comparecer e mostrar o resultado da omissão histórica do poder público na capital. Na Zona Norte, chegou a chover granizo por mais de 30 minutos. Na região da Avenida Paulista, raios e trovoadas assustaram quem passeava pela calçada. Uma das pistas da Marginal Tietê ficou alagada e teve o trânsito interditado.
Ainda assim, houve tempo para celebração. Um palco montado na esquina mais charmosa da cidade, na Avenida Ipiranga com a São João, na região central, reuniu Maria Gadú, Paulo Miklos, Paulo Ricardo, Rappin" Hood, Renato Teixeira e Mallu Magalhães. A festa gratuita teve um cubo multimídia de sete metros transformado em galeria de arte coletiva. Lá dentro, fotos, ilustrações, vídeos e mensagens do Twitter referentes à capital paulista.
O telão cometeu uma gafe ao reproduzir uma homenagem politicamente incorreta da cantora Rita Lee a São Paulo. ¿Sou viciada no cheiro de merda do Rio Tietê, na arquitetura dos 50, no luxo e lixo, na pauliceia sisuda e no Corinthians. Happy bday Sampa!¿, escreveu a roqueira. Em seguida, ela foi criticada. ¿Parei de seguir a chata da Rita Lee. Como eu adoraria que explodisse o PC dela, pra ela não tuitar mais¿, postou um seguidor dela no microblog. Em resposta, chegou a dizer que se sente a completa tradução de São Paulo, como escreveu Caetano Veloso na canção Sampa.
Jesuítas São Paulo foi fundada pelos padres jesuítas Manoel da Nóbrega e José de Anchieta em 25 de janeiro de 1554 e recebeu o nome de Vila de São Paulo de Piratininga. A cidade teve origem em uma cabana onde moravam o português João Ramalho, que vivia na região antes da fundação das vilas, e sua mulher, uma índia chefe de tribo que ocupava a região. Os dois religiosos criaram um colégio no local e a vila foi se expandindo ao redor. Hoje, são mais de 11 milhões de habitantes.
Kassab mira 2014 Firme na empreitada de migrar do DEM para o PMDB com o plano de se tornar uma opção eleitoral a PT e PSDB, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, ofereceu espaço ao PR, PCdoB, PDT e PV em seu governo. No fim do ano, acenou ao PDT com uma corregedoria da Secretaria Municipal do Desenvolvimento. O PR deve ser contemplado com a Secretaria de Esportes, hoje ocupada pelo tucano Walter Feldman. O PCdoB deverá assumir uma secretaria criada para a organização da cidade para a Copa em 2014. E, num aceno ao PV, convidará o vereador da legenda Roberto Tripoli para assumir a liderança do governo na Câmara Municipal.