Título: Risco-Brasil sobe menos que a média
Autor: Lucchesi, Cristiane Perini
Fonte: Valor Econômico, 19/10/2007, Finanças, p. C1
As bolsas de valores atingem todos os dias novos recordes. Mas, nos mercados de dívida externa dos países emergentes, os preços não voltaram aos níveis de maio ou junho, antes do estouro da bolha imobiliária nos Estados Unidos. E, segundo analistas ouvidos pelo Valor, não vão voltar mais tão cedo. Desde 18 de setembro, após o corte de juros básicos americanos, empresas e governos voltaram a emitir papéis com demanda crescente. Tiveram de aceitar, no entanto, pagar rendimentos maiores.
O prêmio de risco de crédito dos emergentes medido pelo EMBI+ do JPMorgan fechou ontem a 194 pontos básicos, 23% abaixo dos 251 pontos básicos que chegou a atingir na fase mais aguda da crise, no dia 16 de agosto. Mas, ainda se mantém 30% acima dos níveis de 149 pontos básicos do início de junho.
O prêmio de risco-Brasil também subiu, mas menos. Considerando-se o EMBI+, passou de 139 pontos básicos no início de junho para 229 pontos no dia 16 de agosto. Ontem, estava a 167 pontos, aumento de 20% em relação aos níveis de antes da crise.
O aumento de prêmio de risco tem impacto no custo de captação de empresas brasileiras e governos de países emergentes. A Gerdau levantou US$ 1 bilhão nesta semana pelo prazo de vencimento em dez anos e pagou 7,25% ao ano. A Odebrecht levantou US$ 200 milhões por dez anos, com opção de resgate antecipado pela empresa em cinco anos, pagando 7,75% ao ano. A Sadia, que não é grau de investimento como a Gerdau e tem a mesma classificação de risco de crédito da Odebrecht, havia captado US$ 250 milhões em maio pagando 6,875% ao ano.
Nos últimos 30 dias, também emitiram papéis a Turquia, o Sri Lanka, a Pemex (US$ 2 bilhões por dez anos, pagando 5,84% ao ano), a Nigéria, o GP Investments e o Grupo Rede (ambos reabriram operações anteriores de perpétuos e captaram US$ 45 milhões e US$ 175 milhões, respectivamente).
"Antes da crise, os papéis de dívida dos países emergentes estavam estupidamente caros", diz John Welch, analista da Lehman Brothers. Ele não arrisca a falar em estabilização nos novos níveis, no entanto. "Em novembro, teremos muitos mutuários americanos renegociando as prestações de suas hipotecas, com impacto no mercado de crédito."
A puxada no custo de captação dos países emergentes e das empresas brasileiras existe, mas é menor do que a vivenciada por empresas americanas e européias, principalmente do setor financeiro, que estão no epicentro do furacão da crise de inadimplência das hipotecas de alto risco nos Estados Unidos. "O risco de crédito no mundo todo estava mal-avaliado, mas havia bolhas maiores em mercados específicos", comenta Ricardo Amorim, estrategista-chefe para América Latina do WestLB. O risco do Morgan Stanley, por exemplo, medido pelo CDS de vencimento em cinco anos, que chegou na sua mínima a 18 pontos básicos, estava ontem a 51 pontos básicos. É um aumento de 183%, na comparação com a alta de 35% no prêmio do CDS brasileiro.