Título: Crédito deve superar R$ 1 trilhão de saldo
Autor: Travaglini, Fernando
Fonte: Valor Econômico, 03/12/2007, Finanças, p. C1

Este foi um ano de forte crescimento do crédito. Até outubro, o sistema financeiro atingiu a marca de R$ 880,8 bilhões de saldo, o equivalente a 34% do PIB. Para o próximo ano, as perspectivas otimistas se mantêm e os bancos já falam em atingir R$ 1 trilhão em empréstimos, elevando o patamar para 38% do PIB.

O volume pode ser considerado baixo, em comparação com outro países como Chile e Estados Unidos. Ainda assim, os bancos estão otimistas na continuidade do avanço.

"O crédito está se expandindo de forma rápida. Nos últimos cinco anos, houve um crescimento médio de 20% ao ano e está em plena aceleração", disse o presidente da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Fábio Barbosa, em discurso em evento da entidade, em São Paulo.

"Se as condições positivas se mantiverem, devemos fechar o próximo ano no patamar de 38% do PIB" diz o diretor do Bradesco, Josué Augusto Pancini. Com isso, o país poderá superar os 36,8% do PIB atingidos pelo sistema em janeiro de 1995.

Entre as apostas para o próximo ano estão as ofertas para pequenas e médias empresas, grande destaque deste ano, além do financiamento de veículos e das parcerias com varejistas. O crédito imobiliário também tem grande potencial.

Os bancos também já iniciaram as campanhas para gastos de início do ano, como impostos e gastos escolares. Neste ano, ao contrário do que acontecia historicamente, já não houve recuo da concessão de crédito no início do ano e a tendência para 2008 é repetir o comportamento. "Deve acentuar um pouco mais no primeiro trimestre", diz o super do Banco Real, João Consiglio.

O otimismo é reforçado ainda pela queda ao longo ano das taxas de inadimplência, hoje na casa dos 2,3% para empresas e 7% para pessoas físicas, segundo dados do Banco Central.

Segundo dados da Serasa, entre janeiro e outubro, a inadimplência teve uma pequena evolução de 0,3%. No mesmo mês do ano passado, esse avanço foi de 12,3%. "O crescimento da inadimplência é pequeno frente ao avanço do crédito", ressalta o assessor econômico da Serasa, Carlos Henrique de Almeida. De fato, nesse período, o crédito para pessoas físicas avançou 28%, segundo dados do BC.

Além disso, as quedas nas taxas de juros no fim do ano devem continuar, disse o economista-chefe do Instituto de Estudos para Desenvolvimento Industrial (Iedi), Edgard Pereira. "A crise internacional não teve repercussão nas taxas cobradas das pessoas físicas e o impacto nos juros para as empresas foi marginal até agora". Em 12 meses, as taxas recuaram 7,7% para pessoas físicas e 4% para empresas.

Segundo ele, a alta da renda e dos postos de trabalho são responsáveis por essa manutenção. De fato, dados apontam aumento de 5,9% do consumo das famílias e a elevação real de 5,4% da massa salarial até setembro deste ano. Com isso e bom acesso ao crédito, o varejo apresenta avanço até setembro de 13,6%.

Mas a euforia da concessão atinge o ápice no fim de ano. Este é o melhor período para o crédito, com aumento de até 30% na produção, com a entrada do 13º salário e as compras de Natal.

Segundo o vice-presidente da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), que representa os bancos médio, Renato Oliva, o crédito deve encerrar o ano já num patamar superior a 35% do PIB. "Há razões para o fim de ano ser melhor do que no ano passado", acredita Oliva.

Este período é de fato o mais forte para o crédito. Os bancos ampliam a oferta e criam produtos específicos de olho nos recursos extras no bolso do consumidor. "Temos limites pré-aprovados para 11,5 milhões de clientes", diz Pancini.

Ele lembra ainda das linhas para financiamento de produtos de varejo em 24 parcelas por meio de parceria com a Visanet. O Bradesco oferece ainda a isenção da última parcela em caso de pagamento em dia nos financiamentos em 12 vezes.

O ponto forte é, de fato, o aumento das vendas no varejo e por isso as parcerias com lojistas são importantes, explica o superintendente nacional da Caixa Econômica Federal, Mário Ferreira Neto. A Caixa, por exemplo, um dos poucos que ainda não tem grandes acordos deve fechar parceria com a Marabrás.

O Banco do Brasil iniciou até uma linha que possibilita o financiamento de bens adquiridos em lojas virtuais conveniadas ao comércio eletrônico do banco, com parcelamento de até 48 meses e carência de até 59 dias.

Até no consignado, cuja produção não costuma crescer no fim do ano, apresenta evolução, diz o o vice-presidente do BMG, Márcio Alaor de Araújo. "Estamos muito otimistas. O crédito cresceu muito", diz . "Como nos últimos meses, os servidores públicos recebem o 13º, costuma cair o movimento. Mas neste ano, melhorou muito a produção".

Boa parte disso também vem das parcerias com fornecedores como Semp Toshiba, Brastemp e LG, para parcelamento de produtos por meio do consignado. O banco concedeu R$ 520 milhões e outubro e o volume deve crescer em novembro e dezembro.

"O volume de crédito, sazonalmente, tem um incremento acentuado no mês de dezembro. Estamos preparados para receber um volume de 30% superior aos meses anteriores", diz o vice-presidente de Negócios de Varejo do Banco Fibra, Márcio Ronconi.