Título: Economia estável favorece mercado de ações
Autor: Silva, Natália
Fonte: Valor Econômico, 03/12/2007, Especial, p. G2

Nelson Perez/Valor Alexandre Póvoa: o cenário mudou, o retorno diminuiu e é preciso buscar alternativas para um rendimento melhor A alta da bolsa de valores nos últimos meses tem atraído a atenção de muitos investidores. Tanto os institucionais quanto as pessoas físicas querem aproveitar a valorização do Ibovespa, o índice que reúne as ações mais negociadas da bolsa, que está acumulada em 37% neste ano. Há algumas formas de participar do mercado acionário. A mais comum é por meio dos fundos de investimento que compram ações. Até novembro, as carteiras desses fundos atraíram R$ 14,4 bilhões, só perdendo para os fundos multimercados, que mesclam investimentos em renda fixa e renda variável, e que captaram R$ 30 bilhões. Os multimercados são mais arrojados e, muitas vezes, garantem melhores retornos.

Quem optou por investir dinheiro nos fundos de ações teve uma rentabilidade média de 44,08% neste ano, muito maior do que quem preferiu as aplicações em juros, já que o CDI, principal referência das aplicações de renda fixa, ficou em 10,19% de janeiro a novembro.

Segundo um levantamento feito pela TAG Investimentos, os fundos de ações que tiveram as maiores rentabilidades neste ano foram o Orbe Value FI Ações, administrado pela Orbe Investimentos, que teve ganho de 93,1%. Entretanto, para investir neste fundo a aplicação inicial mínima é de R$ 30 mil e a taxa de administração é de 2,3%. O segundo colocado no ranking foi o GWI FI Ações, administrado pela GWI Asset Management, que subiu 88,1%. A aplicação mínima é de R$ 120 mil reais e a taxa de administração de 0,20%.

No mercado financeiro, há fundos de ações para todos os bolsos. Há aplicações que exigem investimento mínimo mais baixo e têm boa rentabilidade. É o caso do Itaú FI Ações, da Itaú Asset Management, que subiu 40,5% neste ano. Ele exige aplicação mínima de R$ 1 mil e taxa de administração de 4%.

Se a bolsa continuar bem, a captação dos fundos de ações também deve continuar crescendo nos próximos meses. É que com a tendência de queda na taxa básica de juros, que está em 12% ao ano, esses fundos tendem a se tornar muito mais rentáveis do que outras aplicações do mercado financeiro. A expectativa é de que haja uma migração das aplicações dos fundos de renda fixa e DI para os fundos multimercados e os que investem em ações. "Até agora, os fundos DI combinavam três coisas: alto retorno, baixo risco e boa liquidez. Era o melhor dos mundos", diz Alexandre Póvoa, diretor da Modal Asset Management. Hoje, o cenário mudou, o retorno diminuiu e é preciso buscar alternativas para ter um rendimento melhor.

Os analistas econômicos acreditam que, no longo prazo, a tendência para a bolsa de valores continua sendo de alta. Mas nos próximos meses, o mercado acionário ainda pode registrar um pouco de volatilidade. Não dá para esquecer que a bolsa nacional está sempre relacionada aos mercados estrangeiros, que têm sofrido algumas quedas com o risco de recessão nos Estados Unidos. "Mas aqui, não há muito com o que se preocupar, porque a saúde financeira das empresas que estão sendo negociadas na bolsa está muito boa", diz André Segadilha, gerente de análise da Prosper Gestão de Recursos. Mesmo se houver alguma contaminação do mercado internacional na Bovespa, poucas ações devem registrar perdas. As mais afetadas seriam os papéis das companhias exportadoras como a Vale do Rio Doce e a Aracruz.

Quem pretende começar a investir agora no mercado de ações deve prestar atenção para dois fatores. O primeiro é a taxa de administração cobrada pelas empresas gestoras. Quanto mais baixo é o valor do investimento, maior é a taxa de administração, que fica em média, em 5% na maior parte das administradoras de recursos de terceiros. Quanto mais alta é a taxa, pior é para o investidor.

O outro fator é o histórico e o desempenho do profissional que administra o fundo. É ele quem vai escolher quais ações farão parte da sua carteira. A escolha errada de um papel pode reduzir o patrimônio do investidor ou até mesmo fazer com o que dinheiro desapareça. "Nos últimos dois anos a bolsa só subiu. Mas agora, acabou o oba-oba, quem quiser ganhar dinheiro vai ter de analisar bem os fundos e o desempenho dos gestores", afirma Marcelo Pereira, gestor da TAG Investimentos. "Quem não tem o hábito de acompanhar o mercado todos os dias deve começar os investimentos pelos fundos. Entrar na bolsa sem nenhuma assessoria é muito complicado", diz Segadilha, da Prosper. atualmente, há 311 mil brasileiros que investem na, 47% a mais do que 2006.

Outra opção para ingressar na bolsa são os clubes de investimento. Os clubes são grupos de investidores - no mínimo três pessoas - que fazem suas aplicações diretamente na bolsa, por meio de uma corretora. "Agora, quem não conhece o mercado não pode entrar comprando ações", diz Segadilha.