Título: Simon aceita disputar presidência do Senado
Autor: Ulhôa , Raquel ; Lyra , Paulo de Tarso
Fonte: Valor Econômico, 07/12/2007, Política, p. A8

Sarney: "Tenho de dedicar todo meu tempo a cumprir meus deveres com o Amapá e a escrever minhas memórias, porque senão daqui a pouco eu morro e não escrevo" Em reação ao movimento de setores do PMDB e do governo para viabilizar a candidatura do senador José Sarney (PMDB-AP) à presidência do Senado, surgiu na Casa uma articulação suprapartidária em defesa da escolha de Pedro Simon (PMDB-RS) para ocupar a vaga de Renan Calheiros (PMDB-AL). Enquanto Sarney negou a possibilidade de se candidatar, o gaúcho confirmou que aceita disputar.

"Sarney passa a impressão de que é candidato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para continuar Renan", afirmou Cristovam Buarque (PDT-DF), um dos defensores do nome do gaúcho. Cristovam, Eduardo Suplicy (PT-SP) e Mão Santa (PMDB-PI) são os principais articuladores da candidatura Simon.

Quatro senadores do PMDB já inscreveram suas candidaturas: Garibaldi Alves (RN), Leomar Quintanilha (TO), Valter Pereira (MS) e Neuto De Conto (SC). "Se o partido me indicar, eu aceito. Posso até disputar. Só quem não disputa é o senador Sarney, que só aceita por consenso", disse Simon ao Valor.

Suplicy, Cristovam e Mão Santa começaram a colher assinaturas em uma carta de apoio ao gaúcho destinada ao PMDB. Na tarde de ontem, já tinham conseguido 28 assinaturas. As senadoras Ideli Salvatti (PT-SC), líder do PT, e Roseana Sarney (PMDB-MA), líder do governo no Congresso, tentaram barrar o movimento. Sugeriram a Suplicy que interrompesse a coleta e apenas manifestasse verbalmente sua posição.

Sarney afirmou que "não há hipótese" de vir a se candidatar à presidência do Senado, cargo que ele já ocupou duas vezes: "Me arrependi de ser candidato a senador da última vez. Estou com 78 anos. Tenho de dedicar todo meu tempo a cumprir meus deveres com o Estado do Amapá e a escrever minhas memórias, porque senão daqui a pouco eu morro e não escrevo".

Com medo de que a "simpatia" em torno do nome de Sarney contamine ainda mais a difícil batalha pelos votos a favor da CPMF, o governo não admite em público a preferência por ele. "O candidato preferencial, predileto do governo é qualquer um do PMDB", garante o ministro da coordenação política, José Múcio Monteiro.

Segundo Múcio, o Planalto é um mero espectador da escolha que será feita pelo PMDB, na manhã de terça-feira. "Torcemos pelo time, sem jogar nele", afirmou.

Durante reunião com a cúpula pemedebista, na noite de quarta-feira, Lula disse que gostaria de ver Sarney no cargo, mas que não iria se intrometer em um assunto que é da alçada do Senado e do PMDB. "Mas, em mais de uma oportunidade, o presidente me confidenciou que veria de maneira "mais agradável" se Sarney sucedesse Renan no comando da Casa", confirmou um pemedebista presente ao encontro.

A bancada do PMDB vai se reunir na terça-feira, às 9h, para escolher o senador que indicará para a presidência do Senado. Até lá, outros pemedebistas poderão se lançar. Por ter a maior bancada (20 senadores), a legenda tem direito ao cargo, mas o candidato precisa ser eleito pelo plenário. "Essa é uma eleição não de preferência, mas de baixa rejeição", afirmou o líder do DEM, José Agripino (RN). Ele acredita que Simon teria unanimidade no plenário, caso o governo aceitasse a candidatura do gaúcho.

Na avaliação de senadores do DEM, Sarney tem mais aceitação do que rejeição na bancada. Mas o partido vai aceitar a indicação do PMDB. Já o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), manteve sua rejeição ao nome de Sarney, mas deixou claro tratar-se de posição pessoal e não do seu partido: "Eu tenho óbices claros: o Senado precisa de uma liderança afirmativa e ele não encarna essa liderança. A omissão dele no caso Renan é uma constante. Um líder tem que se expor, apanhar. Não acredito em líder que fica incólume".

Virgílio afirmou que seu partido vê "com respeito" o lançamento de Simon. "Entendemos que Pedro Simon projeta uma boa imagem para a sociedade. Na hora certa, vamos reunir a bancada para decidir se iremos apoiar a candidatura ou se vamos lançar um nome próprio".