Título: DEM quer candidatura própria em 2010
Autor: Jayme , Thiago Vitale
Fonte: Valor Econômico, 13/12/2007, Política, p. A9

Tendo em perspectiva as eleições de 2008 e 2010, e as preocupações do eleitor manifestadas em pesquisas de opinião, o Democratas fez ontem sua primeira Convenção Nacional, depois que o partido mudou de nome e firmou-se como oposição, para apresentar também novas teses e prioridades partidárias, em que se destacam a Segurança e o Meio Ambiente. Durante o encontro, os discursos das principais lideranças do partido criticaram as deficiências do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sobretudo aquelas apontadas pela população como as piores: a segurança pública, o desenvolvimento sustentável e os altos impostos ganharam destaque, segundo levantamentos em poder do DEM..

"As pesquisas recentes demonstram que dois vetores pioraram muito no governo Lula: a questão dos impostos e da segurança pública. A oposição deve ser sistemática e persistente nestes pontos", defendeu o prefeito do Rio, Cesar Maia, antes do início da convenção. O discurso do prefeito foi centrado na questão da violência.

O presidente nacional da sigla, deputado Rodrigo Maia (RJ), destacou as três principais proposta do DEM na área de segurança. A primeira - e talvez a mais importante - é a municipalização das polícias das cidades com mais de 500 mil habitantes. "Nossa polícia está quebrada. Precisamos mudar tudo. Achamos que pode ser dada essa autonomia aos municípios maiores", diz Rodrigo Maia.

A segunda proposta é a criação da guarda nacional, preparada para fazer intervenções em todos os Estados brasileiros e de auxiliar as Forças Armadas e a Polícia Federal nas fronteiras com outros países. Seria um grupo de 20 mil homens da força especial. Por fim, se chegar ao Palácio do Planalto, o partido pretende criar o Ministério de Combate às Drogas e Armas Pesadas. "Seria uma pasta provisória, com dois anos de vigência, para focar no principal problema da segurança pública do país, que é o tráfico", explica o deputado democrata.

A Saúde e a Educação do país também foram tema de diversos discursos, mas a maior novidade foi a defesa do meio ambiente e do desenvolvimento sustentável. O deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA) apresentou o tema. "É falso o conflito que se cria entre o desenvolvimento e o meio ambiente. Por exemplo, não há necessidade de se derrubar um só hectare da Amazônia para produzir comida e etanol".

As bandeiras levantadas pelo partido têm um só objetivo: iniciar uma retomada das forças locais do DEM nas eleições municipais de 2008, com vistas a se fortalecer também para o pleito de 2010. Quase a totalidade dos discursos da convenção nacional defenderam a indicação de candidato próprio do DEM à Presidência da República.

Por ora, entre os nomes mais cotados está o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda. Em primeiro mandato, o ex-líder do governo Fernando Henrique Cardoso recebeu tratamento diferenciado. Ao anunciá-lo para falar aos convencionais, Rodrigo Maia classificou-o como "último e principal orador" do dia.

"Teve coragem de cortar gastos e tenho certeza de que chegará a 2010 como o governador mais bem avaliado do país", disse o presidente dos democratas. Seis banners espalhados pelo Senado (local da convenção) diziam que "Arruda é democrata".

O governador levou muita gente ao encontro do partido. Toda vez que seu nome era citado pelos oradores, os presentes o aplaudiam. Gritos de "Arruda presidente" ecoavam em vários momentos. Em seu discurso, o governador lembrou o pagamento integral da dívida de R$ 700 milhões do DF em 2007 e outras realizações.

Foram nomes também lembrados para a sucessão presidencial o prefeito César Maia que, por sua vez, apontou também o senador José Agripino Maia (RN). "Agripino pode ser um grande candidato. É um excelente orador, é do Nordeste, tem muito votos e respeito de todos", disse o carioca. Coube ao senador atacar o terceiro vetor (ao lado do meio ambiente e da segurança pública) considerado primordial para o DEM a partir de agora: o combate aos impostos.

Agripino fez discurso forte contra a prorrogação da CPMF. "Não há uma chance maior para a oposição, que não decide sobre impostos, ajudar o país a derrubar os tributos como a votação da CPMF, que acaba com o crescimento do país", disse o democrata. "Não venham nos dizer que se acabar a cobrança da CPMF os investimentos vão minguar. Vai acabar é com essa história de TV Pública, vai acabar é com essa história de contratar 26 mil petistas!", disse, sob aplausos dos presentes.

Apesar do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, tentar evitar o assunto de eleições municipais, que o coloca em contraponto a Geraldo Alckmin, do PSDB, a convenção foi oportunidade para o partido demonstrar total apoio à candidatura dele à reeleição. As eleições de Kassab e de prefeitos em outras grandes capitais são consideradas fundamentais para o partido.