Título: Odebrecht diz que pode antecipar obra da hidrelétrica
Autor: Ribeiro , Ivo
Fonte: Valor Econômico, 12/12/2007, Brasil, p. A5
O consórcio liderado pela Odebrecht e Furnas, que saiu vencedor do leilão da usina Santo Antônio, no rio Madeira, informou ontem à noite que pretende antecipar a entrega das duas primeiras turbinas para maio de 2012, sete meses antes do prazo previsto - dezembro. Mas isso só será possível se a licença ambiental de instalação da obra for emitida pelo Ibama até maio de 2008, afirmou Irineu Meireles, presidente da Madeira Energia S.A. (MESA), empresa que vai incorporar os integrantes do consórcio.
"Os estudos realizados nos últimos meses pelo consórcio construtor da obra levantaram informações técnicas e econômicas que nos permitem entregar as primeiras turbinas dentro de 48 meses", disse Meireles. Segundo o executivo, esse foi um fator fundamental para ofertar o preço de R$ 78,90 por MWh, fato que surpreendeu muita gente, inclusive o governo. Com isso, tirou da disputa os dois concorrentes - Camargo Corrêa e Suez - nos primeiros lances.
De acordo com Meireles, com a licença de instalação em mãos em maio próximo, o consórcio pode adiantar uma série de obras antes da época de cheias do rio que começa em outubro e vai até março do ano seguinte. Sobre o prazo mais curto para uma obra desse porte, que terá 44 turbinas "bulbo" e potência para gerar 3,15 mil MW, afirmou que será um desafio às duas construtoras - Odebrecht e Andrade Gutierrez - e aos fabricantes dos equipamentos.
Outro fator de competição, explicou o executivo, é decorrente da aprimoração do edital de licitação pelo governo. Com isso, foi permitida a "escada de monitorização", que significa poder vender a energia à medida que começa a ser gerada pelas turbinas. Com isso, em dezembro de 2012 a concessionária já estará vendendo cerca 600 MW, gerando caixa antes do previsto e ao longo da obra. "Esse diferencial nos permitiu trabalhar com preço menor", disse Meireles.
Porém, o executivo conta também com o sucesso das negociações que começa com grandes consumidores do insumo. É sabido do interesse de Vale do Rio Doce, Votorantim, Alcoa, Gerdau e CSN. "Vamos falar com todos os interessados". Até 30% da energia pode ser vendida no mercado livre. Segundo especialistas um preço na faixa de R$ 140 a R$ 150 o MWh geraria uma média final de R$ 90.