Título: Novartis começa a fabricar remédios genéricos no país
Autor: André Vieira
Fonte: Valor Econômico, 07/01/2005, Empresas &, p. B6
A Novartis vai começar a produzir medicamentos genéricos no país. A indústria farmacêutica suíça fabricará 10 produtos na sua unidade em Taboão da Serra, na grande São Paulo. "Estamos determinados a tornarmos um grande player em medicamentos genéricos no Brasil", afirmou ontem o presidente mundial da Novartis, Daniel Vasella, em entrevista ao Valor. A decisão da multinacional suíça de produzir localmente está relacionada à dinâmica do mercado brasileiro de genéricos. Enquanto as vendas da indústria farmacêutica brasileira cresceram 8,8% em volume e 20,7% em faturamento no ano passado até novembro, as de genéricos aumentaram 30,5% (em unidades) e 42,7% (em valor), segundo dados fornecidos pelo Pró-Genéricos, entidade que reúne as fabricantes do setor. Embora não cresçam como nos primeiros anos e tenham tomado parte da fatia dos remédios de marca, os genéricos já representam quase 10% do mercado brasileiro. Dos dez maiores laboratórios produtores de genéricos do país, sete deles são de capital privado nacional. A Novartis ocupa a sexta posição. A empresa suíça deixará de importar parte destes medicamentos com o início da produção. O atual portfólio de genéricos da empresa reúne 36 produtos e o plano da farmacêutica é lançar 10 produtos por ano fabricados localmente. A intenção da Novartis é abastecer o mercado brasileiro, mas a fábrica brasileira poderá atender outros países. Segunda maior produtora de genéricos do mundo, a empresa suíça aumentou sua fatia neste segmento ao adquirir a canadense Sabex no ano passado por mais de US$ 500 milhões. Daniel Vasella disse que não tem planos específicos para a compra de empresas farmacêuticas brasileiras, mas não fechou nenhuma porta sobre a possibilidade de alavancar os negócios: "aquisições são um tópico constante da nossa empresa." O principal executivo da Novartis, que também acumula a presidência do conselho de administração da companhia, não quis confirmar se a empresa tem interesse em comprar a divisão de medicamentos livres de receita médica (OTC) da americana Bristol-Myers Squibb. Vasella, que esteve quarta-feira com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, anunciou investimentos de R$ 100 milhões neste ano. Uma parte será destinada à modernização da fábrica de Resende (RJ), onde produzirá o princípio ativo do Diovan, o remédio mais vendido da companhia, indicado para a tratamento de hipertensão. Os recursos serão destinados a máquinas e equipamentos. A decisão de investimento procura melhorar a lucratividade da subsidiária brasileira para reverter o fluxo de caixa negativo acumulado nos últimos três anos, afetado pela situação de controle de preços de medicamentos no país, explicou. "O presidente Lula entendeu que a companhia precisa ser lucrativa para criar novos empregos", disse Vasella. Ele disse, contudo, ser cético quanto a possibilidade de o governo modificar a fórmula de controle de preços. Mas Vasella acha que o governo brasileiro tem condições de aumentar os gastos públicos na compra de mais medicamentos por conta de melhoria da situação econômica do país. Ele sugeriu ao presidente Lula a redução de impostos de remédios. O executivo afirmou que poderá voltar ao país para a reinauguração da fábrica de Resende, prevista para até o fim deste semestre, caso o presidente Lula participe do evento.