Título: Vacinação vira alvo dos russos
Autor: Alda do Amaral Rocha
Fonte: Valor Econômico, 09/02/2005, Agronegócios, p. B8

Ao mesmo tempo em que anunciou o fim do embargo ao frango brasileiro, o governo russo enviou uma carta ao Ministério da Agricultura, na semana passada, que surpreendeu negativamente as autoridades brasileiras. O país levantou o embargo, mas manteve a restrição ao frango de Pará e Amazonas, assim como às carnes suína e bovina, exceto as produzidas em Santa Catarina. O embargo foi imposto em setembro passado após surgimento de um foco de aftosa em Careiro do Várzea (AM). Na carta, assinada pelo chefe do Serviço Federal de Supervisão Veterinária e Fitossanitária, Sergei Dankvert, a Rússia põe em dúvida a inocuidade das vacinas brasileiras contra aftosa e procedimentos de controle da doença. A correspondência, à qual o Valor teve acesso, afirma que "as vacinas contra aftosa produzidas no Brasil não são controladas do ponto de vista da virulência em animais naturalmente suscetíveis, como recomendado pelo Escritório Internacional de Epizootias (OIE). Por isso, não está excluído o uso da vacina com virulência residual (...)". O teste de virulência é feito para certificar que o vírus da aftosa na vacina foi inativado. O coordenador de vigilância do Departamento de Defesa Animal do Ministério, Jamil Gomes de Souza, afirmou que a OIE permite que o teste seja feito em animais ou em células em laboratório. Ele disse que o país optou pelo teste em células porque, nesse caso, o ambiente é controlável e há a opção de testar cepa por cepa do vírus. Emílio Salani , presidente do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Saúde Animal (Sindan), afirmou que o teste com células é suficiente para mostrar a inocuidade da vacina. Ele disse que as indústrias também testam a inocuidade do produto. "As vacinas brasileiras são testadas e superseguras, tanto que nos últimos três anos produzimos 1 bilhão de doses", afirmou. A Rússia também questiona a emissão de GTAs - Guia de Trãnsito Animal - por técnicos. O diretor do Departamento de Defesa Animal do Ministério da Agricultura, Jorge Caetano, explicou que a guia pode ser emitida por técnico desde que esse profissional tenha acesso aos controles dos escritórios de defesa animal de sua região. "Todas essas questões foram alvos de explicação em relatório nas duas visitas [russas]", afirmou. Devido aos novos questionamentos, uma missão deve ir à Rússia ainda este mês. Os russos afirmam ainda que a vacinação no norte do país está sendo realizada "voluntariamente e com baixa intensidade".