Título: Crescimento do ano deve ficar perto de 5%
Autor: Bouças , Cibelle ; Durão , Vera Saavedra
Fonte: Valor Econômico, 10/12/2007, Brasil, p. A3

O forte desempenho da economia no mês de outubro e a possibilidade de um quarto trimestre ainda mais aquecido fez economistas elevarem as projeções para o desempenho do Produto Interno Bruto (PIB). As estimativas variam de 1,1% a 1,6% para o terceiro trimestre em relação ao segundo, e de 4,5% a 5% para o ano. Os principais fatores apontados para a mudança são a elevação dos investimentos e da produção industrial e a expansão do consumo doméstico.

Elson Teles, economista-chefe da Corretora Concórdia, trabalha com as previsões mais otimistas do mercado, que embutem uma alta de 5,1% no PIB do ano e 5% no terceiro trimestre em relação a igual período do ano passado. Na sua análise, o grande destaque do PIB do terceiro trimestre será a demanda doméstica (alta de 6,5%) puxada por uma alta de 15% na formação bruta de capital fixo, em relação a 2006. Na comparação com o segundo trimestre, o investimento deve crescer 5%, diz. "Este comportamento do investimento projeta um aumento da capacidade instalada da economia, aumenta a oferta e isto é importante num momento complicado, de atividade forte e pressões robustas de demanda que podem pressionar a inflação no primeiro trimestre, o que acaba congelando a Selic".

Aurélio Bicalho, economista da área de análises do Itaú, prevê uma expansão de 4,7% para o PIB do terceiro trimestre em relação a igual período de 2006 e uma taxa de 1,3% na comparação com o segundo trimestre. Para o quarto trimestre ele trabalha com taxas de 4,5% ante o mesmo trimestre do ano passado e 1% ante o terceiro trimestre. O economista destaca o desempenho do investimento e projeta uma alta de 2,3% para a formação bruta de capital fixo (FBCF) no terceiro trimestre ante o segundo e de 11,8% em comparação com o terceiro trimestre de 2006.

Bicalho considera prematuro dizer que a economia entrou numa rota de expansão mais forte a partir do desempenho da produção industrial de outubro. "A volatilidade da variação mensal da produção industrial é elevada. Os primeiros dados de novembro mostram uma boa redução de ritmo na indústria, com a produção de veículos caindo 7,7% frente a outubro, livre de efeitos sazonais. O consumo de energia recuou 0,7% na mesma base de comparação". Por esta razão, o Itaú não reviu sua projeção de PIB de 4,7% para o ano.

Paulo Pereira Miguel, economista da Quest Investimentos, também vê sinais de leve desaceleração na produção industrial, sobretudo no setor automotivo. "O terceiro trimestre deve ser o mais forte do ano. Excluindo o setor de alimentos que está bem aquecido, os demais devem ter aumento, mas nada que provoque uma mudança substancial no quadro atual."

A corretora Convenção S.A. também manteve sua projeção, de 4,5% para o ano. "Se forem confirmadas as previsões para o terceiro trimestre, essa projeção será revista", diz Fernando Monteiro, economista-chefe da corretora. A Convenção aposta em um crescimento de 1,6% no terceiro trimestre comparado ao segundo, sustentado por um aumento de 6% no setor agropecuário, de 5,8% na indústria, de 3,9% em serviços.

Monteiro ressalta que a antecipação do décimo-terceiro do INSS ajudou a elevar vendas em setembro em 1,4% contra agosto e 8,5% na comparação com setembro de 2006. Mas acredita que a pressão da demanda ficará sob controle, não afetando a inflação, projetada em 3,91% no ano. "A decisão do Banco Central em manter taxa de juros por um período mais prolongado deve segurar o impulso dos consumidores, dando tempo para que os investimentos maturem e a produção industrial aumente, evitando pressão inflacionária."

O ABN Amro e o Unibanco mantêm projeções muito semelhantes às da corretora. O ABN Amro estima que, nos 12 meses encerrados em outubro comparados aos 12 meses anteriores, houve aumento de 5,8% na demanda doméstica e as exportações líquidas tenham tido resultado negativo de 1,7%. O banco também destaca a redução da taxa de desemprego a 8,8% - quando a previsão era de 9,3%. A análise dos fatores reunidos leva o banco a apostar em uma inflação de 4,1% neste ano e 4,3% em 2008.

O Unibanco prevê uma inflação de 4% em 2007, com PIB de 4,8% e, para o próximo ano, inflação de 4,2% e PIB de 4,3%. "O terceiro trimestre foi bastante forte, principalmente nas áreas agrícola e industrial, e os resultados de outubro também devem trazer um quarto trimestre forte", afirma Giovanna Rocca, economista do Unibanco. Contrariamente a outros analistas, ela acredita que o quarto trimestre poderá apresentar o melhor resultado do ano. Bráulio Borges, economista da LCA Consultores, pondera que o reajuste dos números do PIB de 2005 feitos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) trarão reflexos nos dados de 2006 e 2007, o que pode alterar o cenário atual.