Título: FIPs investem R$ 1 bi em infra-estrutura
Autor: Vieira, Catherine
Fonte: Valor Econômico, 03/01/2008, Finanças, p. C1

Os investimentos dos fundos de investimento em participações (FIPs) - também conhecidos como private equity - constituídos para investir em projetos de infra-estrutura começaram a sair do papel de forma mais acelerada. No segundo semestre de 2007, os aportes e as escolhas de novos projetos que receberão recursos se intensificaram, processo que deve continuar em 2008. Fundos como o Brasil Energia, Logística, InfraBrasil e AG Angra já aprovaram investimentos que, somados, chegam a cerca de R$ 1 bilhão para diferentes negócios, seja no segmento de energia alternativa, portos, geração ou transmissão de energia, de acordo com levantamento feito junto aos gestores pelo Valor.

Alguns valores já foram efetivamente aportados e outros serão desembolsados ao longo dos próximos meses. Juntos, estes fundos, e mais o Brasil Mezanino, levantaram - entre 2005 e 2006 -, pouco mais de R$ 3 bilhões para aplicar no setor de infra-estrutura.

As escolhas de projetos começaram a se acelerar a partir de meados do ano. Até então, apenas o Brasil Energia, gerido pelo UBS Pactual; e o InfraBrasil, cuja gestão é do ABN AMRO, tinham feito aportes de recursos em projetos, cujos valores somavam cerca de R$ 170 milhões.

Os FIPs de infra-estrutura costumam injetar recursos em negócios nos quais há outros co-investidores ou financiadores, ou seja, a parcela investida por eles geralmente representa apenas uma parte do total de investimentos alocados nos projetos escolhidos. Há também, em muitos casos, regras que limitam a participação deles por projeto.

O InfraBrasil, o maior entre os FIPs constituídos para esse fim, já tinha aprovado um investimento de R$ 40 milhões destinados a duas Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) no Sul do país e agora essa aposta foi elevada. Segundo Geoffrey Cleaver, superintendente-executivo de private equity do ABN, esse valor aumentou, e o investimento aprovado para projetos em PCHs deve ficar em torno de R$ 180 milhões.

"São projetos em Minas Gerais, Bahia, Santa Catarina e Rio Grande do Sul", diz Cleaver. Há sete usinas em construção, diz ele. O InfraBrasil destinou ainda cerca de R$ 70 milhões para uma empresa de serviço ambiental, que oferece soluções em tratamento de água e áreas contaminadas, além de diagnósticos ambientais. A previsão de Cleaver é a de ter novas aprovações este ano. "Até o fim de 2008, a idéia é acumular um total de R$ 600 milhões", diz ele. Estão sendo analisados negócios na área de saneamento e portos, além de energia.

Já a BRZ Investimentos - nova identidade da GP Asset - tem R$ 243 milhões em capital comprometido com investimentos em cinco projetos no fundo Logística. Deste total, porém, cerca de R$ 40 milhões foram efetivamente aportados e o restante será liberado de acordo com os cronogramas previstos, sendo que há aportes já neste primeiro trimestre. Uma das áreas que tem despertado muito interesse do fundo é a portuária.

Segundo Nelson Rozental, sócio responsável pela estratégia de investimentos de longo prazo da BRZ, três dos projetos escolhidos são de portos em Santa Catarina. Especificamente em Itapoá e em São Francisco do Sul, sendo que pelo menos um será iniciado do zero (o chamado 'green field', no jargão do investimento em 'private equity'). Outros dois projetos são um condomínio de logística e uma empresa de aluguel de equipamentos .

Entre os investimentos fechados no segundo semestre do ano passado está também o Parque Eólico Bons Ventos, no Ceará, com um aporte de R$ 120 milhões feito pelo Brasil Energia, que marcou a estréia dos FIPs no segmento de energia eólica. O fundo, gerido pelo UBS Pactual, já está em fase de implementação do investimento em uma usina termelétrica, com capacidade de geração de 165 megawatts. Ela tem conclusão prevista para 2010 e vai receber aporte de R$ 80 milhões do FIP. Outro investimento de R$ 45 milhões já foi aprovado pelo FIP do UBS Pactual para PCHs. A soma dos novos investimentos com outros já aprovados anteriormente - geradora em Manaus e linha de transmissão em Tocantins - alcança um total de R$ 375 milhões, sendo que vários aportes já foram efetivados.

Outra estréia foi do AG Angra - gestora resultante da parceria entre Andrade Gutierrez e Angra Partners -, que escolheu o segmento de biocombustíveis e vai destinar até R$ 140 milhões para uma planta de etanol no Maranhão, a TG Agroindustrial, a 300 km do Porto de Itaqui. A estratégia do fundo na usina, que já está em operação, é elevar a atual capacidade de processamento de 1 milhão de toneladas de cana para 2,5 milhões entre 2009 e 2010.

Já o fundo Brazil Mezanino, que tem gestão da Darby em parceria com a Stratus, está em fase final para aprovar dois investimentos, segundo o sócio da Stratus, Álvaro Gonçalves. "Temos ainda outros 12 projetos no pipeline [em negociação]", afirma. Os investidores da maioria dos FIPs de infra-estrutura é institucional, com grande participação de fundos de pensão, mas alguns também contam com capital dos gestores.

Na avaliação dos responsáveis pelas carteiras, a longa maturação dos investimentos nos setores que são alvo desses fundos é o principal motivo para que a escolha dos projetos leve um tempo maior. Agora, porém, após uma rodada grande de análise, além de vários aportes terem sido fechados, há ainda outros em fase de negociação. A aprovação pelo fundo define o projeto que receberá os investimentos e o volume que será destinado. Os desembolsos, porém, são feitos muitas vezes de forma paulatina, de acordo com as etapas e o cronograma do negócio.